'Bebemos a água daqui. Será que tem problema?'

Frequentadores ouvidos pelo 'Estado' não sabiam da contaminação; em depoimento ao Ministério Público, 2 pessoas relataram sintomas

O Estado de S.Paulo

10 de agosto de 2012 | 03h01

Duas testemunhas que prestaram depoimento em juízo ao Ministério Público Estadual (MPE) afirmaram ter tido sintomas de contaminação após jogar futebol no Parque Leopoldina Villas-Bôas em outubro de 2010. Segundo os relatos, ambos apresentaram diarreia, vômito e indisposição estomacal depois de usar o campo de futebol maior do parque, em companhia de outros atletas do time amador. Um deles teve febre alta por três dias.

Uma das testemunhas disse ainda que sua namorada, que tinha ido ao campo ver a partida de futebol, passou mal em outra ocasião após ficar sentada à beira do gramado. Hoje, o campo de futebol está fechado. Segundo funcionários do parque, o motivo da interdição foi a necessidade de replantar a grama, danificada há alguns meses.

O Parque Leopoldina Villas-Bôas ocupa área de 55 mil metros quadrados, onde antigamente funcionava uma unidade da Sabesp, e é separado da Marginal do Tietê por um muro. A área tem três quadras de futebol (uma gramada e duas de cimento), além de quadra de tênis e um campo de futebol. O espaço tem também brinquedos infantis, equipamentos de ginástica e um lago.

Separada apenas por uma grade, fica a outra área do terreno, onde é possível ver edifícios abandonados e antigos equipamentos usados para o tratamento do esgoto.

Frequentadores. O estudante Tiago Barbieri, de 23 anos, mora a apenas cinco minutos do parque. Ele diz que já ouviu comentários de alguns vizinhos sobre uma possível contaminação do local, mas nunca pensou que pudesse ser verdade. "Como o lixão funcionava por aqui, acho plausível que isso seja verdade. Já comentaram sobre isso comigo, mas nunca passei mal", afirma. "Eu estou vivo e venho aqui todos os dias."

Segundo ele, é difícil encontrar pessoas do bairro que frequentem o parque. "A maioria das pessoas que vêm aqui só usa as quadras. Se tivesse apenas a quadra e lama por todos os lados, elas continuariam vindo", diz o estudante.

Há um mês, o professor Rogério Fiorini, de 54 anos, leva quatro alunos para treinar tênis no parque toda tarde. Ele conta que o espaço é ideal para os treinos por ter poucos frequentadores e diz que nunca ouviu ou observou alguém que tivesse passado mal. Mas, após ser questionado, o professor se preocupou: "Bebemos a água daqui. Será que tem algum problema?" / DIEGO ZANCHETTA, JULIANA DEODORO e RODRIGO BURGARELLI

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