Bebê morre após ser deixado por mãe em carro por mais de 4h

Mulher está presa e disse que trancou criança de 1 ano porque queria dormir; ela será indiciada por homicídio doloso

PATRICIA DRUMOND , ESPECIAL PARA O ESTADO , GOIÂNIA, O Estado de S.Paulo

28 Março 2012 | 03h02

Um bebê de 1 ano morreu ontem, em Aparecida de Goiânia (GO), após ter sido deixado por mais de quatro horas dentro de um carro pela mãe, A.P.O., de 26 anos. A morte revoltou moradores da região. A mãe está presa e será indiciada por homicídio doloso (com intenção).

"Entendemos que houve a intenção de matar porque foi a própria mãe que abriu o carro e fechou a criança lá dentro, sob o sol, mesmo havendo outros cômodos na casa em que o bebê poderia ter sido deixado", argumenta a titular da Delegacia de Proteção à Criança e Adolescente (DPCA) de Aparecida de Goiânia, Myrian Vidal, responsável pelo caso.

De acordo com a delegada, A., grávida de 5 meses, alegou, em depoimento, que o bebê chorava muito e ela queria dormir. "Mesmo com o filho chorando, ela o trancou no veículo e foi dormir. Está claro que a conduta dela matou a criança."

A Polícia Militar foi acionada para atender a ocorrência no início da tarde. A. teria fechado o filho dentro do carro, um Fiat Uno, após o café da manhã, entre as 8 e as 9 horas, com os vidros e portas fechados, na garagem de casa, em que não há cobertura para veículos. A criança ficou trancada até as 13 horas, quando o atual namorado da mulher - que não é o pai do bebê - encontrou a criança inerte no carro.

De acordo com os socorristas do Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu), a criança pode ter morrido por asfixia - hipótese também apontada pelo perito criminal Rogério Almeida Róscio, do Grupo Especializado em Homicídios, que chegou ao local às 15 horas.

"Encontramos a criança apenas de fralda, no banco dianteiro do carro, do lado do passageiro. Estava de barriga para cima, e havia secreção na boca, além de restos de alimentos", afirmou. De acordo com o perito, o laudo conclusivo sobre a morte do bebê só deverá sair daqui a 30 ou 45 dias.

Na DPCA de Aparecida de Goiânia, a delegada Myrian Vidal ouviu uma colega da mãe da criança morta. Em seu depoimento, a mulher, que mora na mesma casa da acusada, disse já ter presenciado a amiga tentando matar o filho, por afogamento.

Por isso, segundo a testemunha, o pai do bebê - atualmente preso no Complexo Prisional, em Aparecida - teria pedido a guarda da criança, por intermédio de seus pais. "A mãe estava com o filho há apenas um mês, em função da briga judicial", contou a delegada Myrian.

Ainda conforme os depoimentos colhidos pela titular da DPCA na tarde de ontem, a mãe da criança admitiu ter havido consumo de drogas na residência, na noite anterior, mas negou que tivesse feito uso de entorpecentes. Aos policiais que atenderam a ocorrência, ela disse apenas que tomou medicamentos para minimizar os enjoos provocados pela gravidez, o que teria provocado sonolência.

Spray de pimenta. Revoltados com a atitude da mãe, vizinhos que se aglomeraram na porta da casa até a retirada do corpo do bebê, por volta das 16h45, e a posterior condução da mãe para a delegacia, tiveram de ser contidos com spray de pimenta. "Tomara que ela pague com a morte também, na cadeia", chegou a declarar uma mulher, segurando o filho pelas mãos.

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