Bebê é deixado por pai em carro e morre

Delegado gaúcho esqueceu a filha de 11 meses em seu Golf e foi trabalhar; ele só se deu conta do erro 4h depois, quando a mulher ligou

ELDER OGLIARI / PORTO ALEGRE, O Estado de S.Paulo

19 Janeiro 2013 | 02h01

Uma menina de 11 meses morreu de desidratação por ter sido esquecida pelo pai, o delegado de polícia José Enilvo Soares de Bastos, dentro de um Golf em Santa Rosa, no noroeste do Rio Grande do Sul, na tarde de anteontem. Filha única, Alice ficou cerca de quatro horas no carro. Ela completaria 1 ano no dia 27 - a família já preparava a festa.

Em clima de comoção, o corpo foi enterrado ontem em Giruá, cidade na mesma região onde vivem os parentes da mãe. A Polícia Civil vai abrir inquérito para apontar a causa exata e as circunstâncias da morte. Mas acredita-se que Bastos receba perdão judicial por não ter tido intenção e estar em situação de grande sofrimento.

O delegado saiu de casa por volta das 14h para deixar Alice na creche. Acabou, porém, seguindo direto para o trabalho. Ao chegar à delegacia, estacionou, fechou o carro e foi para seu gabinete. Mais tarde, acompanhado por colegas, saiu para uma diligência. Por volta das 18h, recebeu um telefonema da mulher, que estava na creche da filha e havia sido informada de que ela não tinha sido levada para lá.

O delegado voltou imediatamente para a delegacia e, ao ver a criança dentro do carro, ficou em estado de choque. A menina foi retirada por colegas do policial e encaminhada, com o pai, ao hospital. Feitas por quase uma hora, as tentativas de reanimação não deram resultado.

Internação. Desesperado, Bastos ficou internado e teve de ser medicado com calmantes, sob orientação de uma psiquiatra.

O corpo de Alice foi velado no salão paroquial da Igreja Matriz de Santa Rosa e levado para Giruá, a 24 quilômetros de distância, às 15 horas. O pai saiu do hospital por volta do meio-dia para acompanhar o enterro.

Colegas do delegado disseram à imprensa local que ele andava muito envolvido com o trabalho nos últimos dias. Casos semelhantes aos de Alice não são raros. Em um deles, em maio de 2011, um técnico em informática esqueceu a filha de 7 meses dentro do carro em Novo Hamburgo (RS).

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