Bebê de 6 dias é resgatado no Rio e casal, preso em flagrante

Acusados de sequestrar Gustavo teriam recebido promessa de ganhar dinheiro caso dessem um neto a fazendeiro

CLARISSA THOMÉ / RIO, O Estado de S.Paulo

09 Julho 2012 | 03h03

O recém-nascido Gustavo, sequestrado na noite de sexta-feira, foi resgatado na tarde de ontem em Saquarema, na Região dos Lagos, no Rio de Janeiro. O bebê de seis dias de vida estava com o casal Altair Ferreira dos Santos, de 49 anos, e Géssica Paulino Marinho, de 23, presos em flagrante.

Santos foi administrador de um hospital da cidade e atualmente é funcionário da Assembleia Legislativa do Rio, lotado no gabinete do presidente da Casa, Paulo Melo (PMDB).

De acordo com as primeiras informações fornecidas pela polícia, a família da sequestradora havia prometido presentear o casal com R$ 500 mil se Santos e Géssica tivessem um filho. Os policiais chegaram ao bebê por meio de uma denúncia anônima feita em um posto da Polícia Militar da região.

"Eles estavam sufocados por causa das reportagens sobre o sequestro e não tinham como sair de casa", contou o delegado Luciano Coelho, titular da 124.ª Delegacia de Polícia (Saquarema). Géssica disse que estava com o bebê havia dois dias e pensava em entregá-lo à polícia. Ela teria contado ter recebido a promessa de ganhar dinheiro de seu pai, um fazendeiro, caso se lhe desse um neto.

Ontem à tarde, o deputado Paulo Melo divulgou nota para informar que determinou a exoneração de Santos. O parlamentar, que é de Saquarema, lamentou o que classificou de "ato insano, covarde e brutal".

Santos foi administrador do Hospital Municipal Nossa Senhora de Nazaré, onde a avó materna do bebê, Patrícia Sabino, trabalhou por oito anos como auxiliar de serviços gerais. "Ele conhecia a família, de origem humilde, e sabia que a criança era filha de uma adolescente de 17 anos", disse o delegado.

Angústia. Ontem pela manhã, a família de Gustavo havia promovido uma manifestação pública em Bacaxá, distrito de Saquarema, para sensibilizar a população a ajudar com qualquer informação que levasse à criança.

"Estamos todos muito preocupados. Não conseguimos dormir, pensando se estão cuidando dele, se fizeram alguma maldade. A Gabriela está cheia de leite, em estado de choque", contou Rosane Santos, de 40 anos, prima do pai de Gustavo, o caminhoneiro Rodrigo dos Santos, antes de o bebê ser achado.

O sequestro. O bebê foi sequestrado na noite de sexta-feira. Patrícia e Gabriela estavam sozinhas com a criança, quando três homens armados chegaram à casa da família. Eles exigiam dinheiro e cobravam uma dívida, que teria sido contraída por um homem chamado Marcelo.

Mãe e filha disseram que não conheciam ninguém com esse nome. Os invasores, porém, trancaram as duas em um dos cômodos da casa e levaram a criança. A família acreditou, a princípio, que um engano teria motivado o sequestro do bebê.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.