Bebê assassinado em onda de violência em SP é enterrado

Menino de 1 ano e 7 meses foi vítima mais nova desde que começaram ataques de violência na capital

Juliana Deodoro, O Estado de S. Paulo

16 Novembro 2012 | 16h54

SÃO PAULO - Foi enterrado na tarde desta sexta-feira, 16, o bebê de 1 ano e 7 meses, morto na noite da última quinta-feira, 15, em São Bernardo do Campo, após ser atingido por um tiro. Ele foi a vítima mais nova desde que começaram os ataques de violência na capital e na Grande São Paulo.

No enterro do bebê, que aconteceu na tarde desta sexta no cemitério Vale da Paz, em Diadema, familiares estavam indignados. "Não tem explicação. Esperávamos que houvesse lei. A cidade virou um bangue bangue e ninguém vai devolver ele para mim" disse o avô materno José do Patrocínio Silva, de 53 anos, motorista de transporte escolar.

Entenda o caso. O menino estava em um carro - na Estrada Galvão Bueno, no Bairro Batistini - com a mãe, Thamyres Santos Silva Santos Manga, de 22 anos, e com o padrasto Jurandy Luis da Silva Filho, de 20 anos, quando outro carro, com três homens, que tentavam ultrapassá-los, disparou três tiros. Um deles atingiu o menino no pescoço. Ele foi levado a Unidade de Pronto Atendimento (UPA) do Demarchi, onde já chegou sem vida.

Os mesmos homens que o atingiram haviam disparado poucos minutos antes contra outro menor: um jovem de 17 anos. Ele estava na porta de casa com a mãe, o irmão e a namorada quando o carro parou, um dos homens desceu, jogou o menor contra a parede e atirou. O homem ainda tentou atirar novamente, mas a arma falhou. O tiro pegou de raspão na cabeça do jovem. Ele também foi levado a UPA Demarchi, mas passa bem.

Segundo o delegado titular do 3º distrito policial de SB do Campo, Kazuyoshi Kewamoto, o menor de 17 anos já tinha cometido atos infracionais e haveria indícios de que o ataque seria para acertar dívidas. A família, porém, nega que ele tenha antecedentes criminais.

Segundo a polícia, duas câmeras de segurança de estabelecimentos comerciais podem ter gravado toda a ação e suas imagens serão usadas para tentar identificar os bandidos.

Quando o carro em que estavam os bandidos começou a piscar o farol e tentar a ultrapassagem, o padrasto do menino pensou que fossem alguns amigos, pois o carro, um Pálio prata, era igual ao de seu primo. "Ele achou que era meu filho. Os três tinham acabado de sair de casa e iam para o supermercado. Nem quero mais que meu filho ande nesse carro. Foi por Deus que os dois (Jurandy e Thamyres) não morreram" afirmou Aparecida Maria Caetano, de 43 anos, tia de Jurandy.

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