Beatriz Segall diz que não é possível contar com a polícia

Nora do artista Lasar Segall acredita na recuperação das obras roubadas nesta tarde da Estação Pinacoteca

Ítalo Reis, estadao.com.br

12 de junho de 2008 | 19h25

A atriz Beatriz Segall conversou com o estadao.com.br sobre o roubo de uma das obras de seu sogro, o artista Lasar Segall, e também dos pintores Pablo Picasso e Di Cavalcanti, ocorrido nesta quinta-feira, 12, na Estação Pinacoteca, no centro de São Paulo. Para ela, a segurança no País não é boa e as coisas que acontecem acabam sendo uma conseqüência disto. "É tudo assim aqui no Brasil hoje. Quem pode contar com a polícia para proteger a sociedade ou os bens públicos?", questionou a atriz. "Estamos passando por um período terrível".  Veja também:Galeria com as telas roubadas pelo mundo  Vídeo do com os momentos do roubo Há seis meses bandidos levaram obras do Masp Bandidos aproveitaram excursão escolar para levar obrasMasp divulga nota de solidariedadePinacoteca exibe obras da Fundação Nemirovsky50 anos sem Lasar Segall, um lituano no Brasil Três homens, um deles armado, entraram na Estação Pinacoteca, renderam três funcionários do local e levaram Mulheres na Janela (1929), o óleo sobre cartão de Di Cavalcanti; O Pintor e seu Modelo (1963), gravura de Picasso; Minotauro, Bebedouro e Mulheres (1933), gravura de Picasso; e Casal (1919), guache sobre cartão de Lasar Segall. Beatriz, viúva do filho mais velho de Lasar, Maurício Segall, acredita que as obras furtadas serão recuperadas. "Os bandidos aqui no Brasil são muito inteligentes, são muito capazes. (A recuperação) vai demorar, mas eu tenho esperança". A atriz, que ganhou destaque no papel da vilã Odete Roitman, da novela global Vale Tudo (1988), afirmou que a polícia brasileira deveria ser mais decente e "especializada para determinados casos", como roubo de obras artísticas. Segundo Beatriz, algumas leis brasileiras precisam ser reformadas e o Poder Judiciário deveria ser mais eficiente. "O judiciário tem de ser mais confiável em relação a pressa de condenar esse crimes". Questionada se a lei que acelera os processos criminais, sancionada na segunda-feira, 9, pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, vai realmente funcionar, a nora de Segall disse que "prefere esperar um pouquinho e esperar para ver acontecer".

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