Bazar de grife exige agilidade

Na venda promocional da Dior, clientes dizem que as melhores peças acabam em 5 minutos

Paulo Sampaio, O Estado de S.Paulo

24 de setembro de 2010 | 00h00

"A (bolsona) azul e a branca são minhas!", avisa uma resfolegante frequentadora da primeira meia hora do bazar que a Dior promove desde ontem na sobreloja de um hotel nos Jardins. Vai até amanhã, mas, dizem todas, "as melhores peças acabam em cinco minutos".

"Cheguei às 8h30", conta a designer carioca Cristiane Oguri, de 43 anos, primeira da fila. O bazar abriu às 10h, ela saiu em 17 minutos. "Sou prática. Em 10 minutos já sei se tem algo que presta. Vi coisa ali de bazar de dois anos atrás."

Apesar de ter ficado pouco tempo, Cristiane diz que foi o suficiente para ouvir um "Sai da frente!", enquanto tentava ver o que havia nas araras.

As vendedoras têm algo de mediador em debate político. Uma das atribuições informais delas é contemporizar em caso de disputa por um top, uma bolsa. Funcionam também como cabide: seguram sapatos, bolsas, vestidos.

A chefe do staff, Heloísa, diz, sem sorrir (nunca), que não dá para guardar nada: "Cada um segura o seu na mão". Precavidas, algumas levaram sacos grandes para reservar o que pretendiam experimentar depois - e não deixar que ninguém pegasse. Alguém lembra que "o bazar é beneficente".

O repórter está desautorizado a cobrir o evento; ele é convidado a se retirar, assim que as abduzidas compradoras começam a tirar a roupa, para experimentar outras (ninguém parece preocupado com uma presença masculina ali).

No hall do hotel, a administradora de empresas Cibele Maciel, de 38 anos, diz que é fácil saber quem está subindo para o bazar. "Elas vêm comprar Dior vestindo Dior", diverte-se ela, que comprou uma sandália de R$ 400.

Injustiça: muitas estão de Prada, Gucci, Miu Miu. A industrial Aninha Lobo, de 45 anos, que está de Chanel, puxa orgulhosamente de dentro de uma caixa grande a penugem da bota debruada que comprou por R$1.100. "Olha que linda!"

A empresária Gisele Loyola, de 40 anos (de Chanel e Manolo), diz que tem um closet "bem grande". Comprou um sapato e um mocassim (cerca de R$ 800) que ela manuseia como se fossem duas bonecas. "Sou contra comprar por comprar, sabe?"

No bazar, realizado no Hotel Regent Park (Rua Oscar Freire, 533), uma bolsa preta passou de R$ 10.670 para R$ 3.200 e uma camisa foi de R$ 3.330 para R$ 666.

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