ALEX SILVA ESTADAO
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Bauru vira patrimônio imaterial de São Paulo

Sanduíche foi inventado em 1936 por estudante da USP e leva nome de sua cidade de origem

José Maria Tomazela, O Estado de S.Paulo

23 Janeiro 2019 | 03h00

SOROCABA - Depois de 83 anos agradando aos mais diversos paladares, o sanduíche bauru acaba de se transformar em patrimônio imaterial do Estado de São Paulo. Uma lei sancionada em 29 de dezembro pelo então governador Márcio França (PSB) conferiu esse status ao lanche que leva o nome da cidade de seu criador – Bauru, na região noroeste do interior paulista. O sanduíche foi inventado pelo estudante de Direito da Universidade de São Paulo (USP) Casimiro Pinto Neto e elaborado pela primeira vez, em 1936, no Ponto Chic, no Largo do Paiçandu.

A receita original, no entanto, é bem diferente do bauru servido em bares e lanchonetes Brasil afora. Uma lei municipal editada pela prefeitura da cidade do interior, em 1998, estabelece a receita do legítimo bauru. O lanche deve ser feito com pão francês, queijos derretidos, rosbife, tomate, picles de pepino em rodelas e sal.

Nas versões mais difundidas, o queijo usado é a muçarela, o picles de pepino desapareceu e o rosbife foi substituído pelo presunto. O deputado Celso Nascimento (PSC), autor do projeto que deu origem à lei sancionada por França, conta que já encontrou o lanche em quase todos os Estados brasileiros.

“O sanduíche levou o nome da cidade para todo o País e vi a necessidade de transformá-lo em bem imaterial pela sua importância cultural e econômica”, disse o parlamentar, nascido em Bauru. Na cidade do interior, o lanche ganhou um selo de qualidade conferido a oito estabelecimentos que seguem à risca a receita original. O selo é renovado a cada dois anos.

Segundo a secretária municipal de Desenvolvimento Econômico, Turismo e Renda, Aline Prado Fogolin, mais estabelecimentos estão sendo certificados. “Tivemos a procura de hotéis e restaurantes que querem usar o bauru original como um atrativo a mais em seus cardápios. Um deles é o primeiro estabelecimento que serviu o sanduíche aqui depois que ele foi criado pelo Casimiro. O restaurante havia fechado e reabriu recentemente.” Todo 1.º de agosto, a cidade comemora seu aniversário e faz a Festa do Bauru.

Para o mundo

De acordo com a secretária, o sanduíche projetou a imagem da cidade em outros países. “Trabalhei na Colômbia e nosso bauru estava no cardápio de um restaurante. Tivemos informações de que o lanche é servido também no México e em vários outros países da América Latina, mas cada um faz de um jeito e acaba desvirtuando a receita original.”

A história do sanduíche remete aos anos 1930 do século 20, quando o bauruense Casimiro Pinto Neto, como outros estudantes e intelectuais da época, frequentava o restaurante Ponto Chic, no Largo do Paiçandu. O rapaz ganhou como apelido o nome de sua cidade e um dia, atrasado para uma partida de sinuca, pediu um lanche rápido no local. Conforme narraria mais tarde, ele foi pedindo que o funcionário colocasse os ingredientes que tornaram o lanche conhecido. Quando comia, um amigo serviu-se de um pedaço, gostou e pediu “um desse do Bauru”. Estava criado o sanduíche.

Receita

- A origem

A receita original do bauru foi elaborada pela primeira vez no Ponto Chic do Largo do Paiçandu, em 1936.

- Os ingredientes

1 pão francês fresco 

1 fatia de cada queijo: prato, estepe, gouda e suíço 

5 fatias de rosbife 

2 rodelas de tomate 

Picles de pepino

- O preparo 

Corte o pão ao meio no sentido vertical, tire um pouco do miolo. Ponha o rosbife, algumas fatias de pepino em conserva e o tomate. Numa frigideira antiaderente, coloque uma finíssima camada de água no fundo e ferva. Ponha, aos poucos, as fatias de queijo na água. Espere dois ou três segundos até o queijo derreter. Usando uma pinça longa, mexa o queijo rapidamente e, assim que ele estiver completamente derretido, tire da panela, coloque no sanduíche e feche.

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