Batman é detido após descer Câmara dos Vereadores de rapel

Manifestante deixou sósia na entrada e invadiu prédio vestido de padre

Rafael Italiani, O Estado de S.Paulo

02 de junho de 2014 | 17h32

Atualizada às 19h07

SÃO PAULO - Um manifestante fantasiado de Batman foi detido no final da manhã desta segunda-feira, 2, após invadir a Câmara dos Vereadores, na região central, e descer de rapel do sétimo andar do edifício. O homem, que não se identifica pelo nome verdadeiro, protestava contra o atendimento que recebeu na Assistência Médica Ambulatorial (AMA) Capão Redondo, na zona sul, na semana passada. De acordo com o Batman, ele ficou oito horas dentro da unidade após pegar uma pneumonia. "Esse problema não acontece só comigo, é algo que atinge toda a população", afirmou o manifestante que faz parte de um grupo chamado Loucos Pela Paz (LPP) e tem a parceria de outros fantasiados. 

Além da demora no atendimento, ele afirmou também que o médico da unidade receitou cinco remédios para ele pegar, gratuitamente na farmácia da AMA. No entanto, de acordo com o Batman, havia apenas um dos medicamentos. "Nada é de graça. Pagamos impostos justamente para ter o serviço. Como na AMA não tinha todos os remédios, precisei gastar R$ 380 em medicamento. Graças a Deus eu tenho dinheiro para pagar. Agora, o resto dos pacientes não têm", afirmou.

Após descer de rapel o prédio, o manifestante foi detido e levado para 1º Delegacia de Polícia (Sé). Lá, segundo policiais, o Batman assinou um termo circunstanciado (crime de menor potencial ofensivo) de provocação de tumulto e conduta inconveniente. Com a passagem de hoje, é 19ª vez que o Batman é levado para uma delegacia. Em outras ocasiões, o manifestante se pendurou em viadutos do Corredor Norte-Sul, também para protestar. Na manhã de hoje, outros fantasiados deram apoio ao Batman: Zorro, Mulher Maravilha e o pirata Jack Sparrow do filme Piratas do Caribe. 

Disfarce. Para conseguir entrar na Câmara sem chamar atenção, o Batman acesso o prédio vestido de padre. Enquanto isso, um sósia com a fantasia do herói dos quadrinhos ficou do lado de fora do prédio com equipamentos de rapel. "A Guarda Civil Metropolitana (GCM) e os policiais militares ficaram empenhados no Batman falso. Sem chamar muita atenção, montei meu equipamento, troquei de roupa e desci. Foi esquema de cinema", afirmou. Ele afirmou que, caso o atendimento na AMA não melhore, irá descer de rapel do prédio da Prefeitura, no Viaduto do Chá, também na região central.

Procurada, a Secretaria Municipal de Saúde afirmou que o atendimento prioritário nas unidades é para o casos classificados como "urgência e emergência". A pasta afirmou não ter acesso aos dados pessoais do paciente e que, por isso, não é possível responder pela falta de medicamentos relatada pelo manifestante. No entanto, a secretaria afirmou que o estoque de medicamentos na AMA "encontra-se abastecido". 

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