JB Neto/AE
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Batida de trens na Barra Funda fere 42

Composição com 600 passageiros se chocou contra trem vazio que estava parado; mulher foi socorrida no HC com traumatismo torácico

Gio Mendes e Fábio Mazzitelli, O Estado de S.Paulo

13 Julho 2011 | 00h00

Duas composições da Linha 7-Rubi da Companhia Paulista de Trens Metropolitanos (CPTM) bateram, no início da tarde de ontem, na Estação Palmeiras-Barra Funda, na zona oeste de São Paulo. Segundo a CPTM, 42 pessoas ficaram feridas, a maioria levemente - três seguiam internadas à noite. Houve tumulto na plataforma após a colisão e trens passaram a operar de forma limitada, com intervalos de 15 a 20 minutos,

De acordo com relatos de funcionários da CPTM à Delegacia do Metropolitano (Delpom), um trem vazio que estava parado na estação, à espera de autorização para seguir em direção à Luz, foi atingido por uma composição que vinha de Francisco Morato, com 600 passageiros, às 13h40. O maquinista chegou a frear, mas não conseguiu evitar a batida. Passageiros que estavam de pé caíram.

O tenente-coronel Antônio Ferraz dos Santos, comandante do 2.º Grupamento de Bombeiros, disse que uma mulher de 23 anos foi socorrida em estado grave no Hospital das Clínicas. "Essa moça sofreu traumatismo torácico", afirmou o oficial. Em nota, a CPTM informou que três pessoas seguiam internadas à noite, mas só em observação.

O gerente de relacionamento da CPTM, Sérgio de Carvalho Junior, explicou que o trem que bateu atrás tinha velocidade inferior a 20 km. "Esse é o limite para chegar à estação. O maquinista acionou o freio de emergência a tempo", ressaltou.

Segundo o tenente-coronel, a maioria das vítimas sofreu escoriações ou pequenos cortes no corpo. As vítimas que reclamavam de dores eram imobilizadas e colocadas em macas. A cozinheira Vera Lúcia de Souza, de 61 anos, por exemplo, chorava sem parar enquanto entrava em uma unidade de resgate. "Estou sentindo uma dor forte nas costas e na minha mão (esquerda)", disse Vera Lúcia, que era amparada pela filha, a operadora de telemarketing Aline Luana, de 20 anos.

A também operadora de telemarketing Érica Medeiros, de 32 anos, soube que a sobrinha Jéssica Medeiros, de 17, era uma das vítimas do acidente ao receber ligação da mãe da garota. Tia e sobrinha trabalham juntas, mas viajavam em composições separadas. "Eu estava no terceiro trem, que vinha atrás dos outros dois. Minha irmã ligou perguntando se eu também estava machucada, pois a Jéssica havia telefonado para ela e falado do acidente." Segundo Érica, Jéssica estava com as pernas inchadas.

Já a aposentada Laura de Oliveira Marcelino, de 64 anos, estava preocupada com o estado de saúde da neta, a operadora de telemarketing Camila Marcelino, de 18 anos. "Vim correndo para ver o que tinha acontecido e encontrei minha neta com calombo na cabeça. Ela desmaiou na minha frente."

Investigação. As causas do acidente estão sendo apuradas pela Polícia Civil e por uma sindicância aberta pela companhia, que encaminhará à perícia o registrador de eventos da cabine do trem que trafegava pela linha. O aparelho registra diálogos de maquinista e operadores. "Queremos saber se alguém deu aval para ele prosseguir em direção à estação", diz o delegado Valdir Rosa, da Delpom. "Vamos checar ainda se houve problema na sinalização de campo, que controla a aproximação do trens. E dentro das composições também existe um mecanismo de segurança eletrônico para evitar acidentes."

O Sindicato dos Ferroviários vai acompanhar a sindicância aberta pela CPTM, que deve durar 30 dias. "Ainda não dá para saber se foi problema de sinalização ou se o maquinista teve culpa", ressaltou o presidente, Eluiz Alves de Matos.

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3 PERGUNTAS PARA...

Tiago da Fonseca, estudante de 23 anos que quebrou o braço

1. Onde você estava na hora do acidente?

Eu estava no penúltimo vagão do trem e já tinha levantado para desembarcar na Estação Barra Funda. Percebi que o trem reduziu a velocidade e logo em seguida ele bateu no trem da frente.

2.O que aconteceu?

Eu vi pessoas voando uma por cima da outra. Parecia cena de um filme. Com o impacto da batida, as pessoas foram jogadas para a frente. Eu acabei caindo no chão e me machuquei.

3. Viu mais gente ferida?

Teve gente que saiu com a cabeça cortada, pois deve ter caído sobre o banco ou batido na parede do trem. Muita gente reclamava de dores no corpo.

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