Felipe Rau/Estadão
Felipe Rau/Estadão

Alckmin e Doria desistem de entrevista no centro após gritos de 'higienista, fascista'

Governador e prefeito foram alvo de protesto; manifestantes reclamam da 'especulação imobiliária' na Cracolândia

Daniel Weterman e Luiz Fernando Toledo, O Estado de S.Paulo

24 Maio 2017 | 11h01
Atualizado 24 Maio 2017 | 15h49

SÃO PAULO - Uma agenda do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin, e do prefeito João Doria, ambos do PSDB, na Luz, na região central da capital paulista, acabou em bate-boca na manhã desta segunda-feira, 24. Manifestantes do coletivo Craco Resiste protestaram contra os dois e os chamaram de "higienista, fascista". Irritados, os dois desistiram de dar entrevista coletiva aos jornalistas e foram embora.

Veja o vídeo:

Alckmin iniciou sua fala sobre o lançamento de uma Parceria Público-Privada (PPP) para construção de 440 apartamentos na região da Luz, quando manifestantes que não quiseram se identificar passaram a protestar aos gritos contra o governador e o prefeito. Em reação, algumas pessoas ligadas a Alckmin gritaram "Geraldo, Geraldo".

Com o bate-boca, o governador e o prefeito desistiram de fazer a entrevista coletiva. "Não é com grito que nós resolvemos a democracia", disse Doria. Alckmin não falou nada sobre o protesto, apenas fez uma fala destacando o programa e dizendo que já há famílias interessadas nas unidades que o Estado vai construir em parceria com a iniciativa privada em terrenos doados pelo município.

A confusão aconteceu no estacionamento do Comando da Guarda-Civil Metropolitana (GCM), na Rua General Couto de Magalhães, a poucas quadras da Cracolândia.

O subsecretário estadual de Comunicação, Carlos Graieb, chegou a discutir com um manifestante. "Vocês estão defendendo traficante?", perguntou.

"Estamos defendendo o cidadão", respondeu o manifestante. Os dois discutiram até que Graieb foi colocado dentro de um carro da GCM e deixou o local.

Aos jornalistas, os manifestantes disseram que o governador e o prefeito estão praticando "especulação imobiliária" na região da Cracolândia. Um deles afirmou que estão construindo prédios "sobre o sangue da população pobre negra e periférica".

Nenhum quis se identificar. Um rapaz que participou do protesto usava a camisa do movimento "A Craco Resiste", grupo formado por artistas que faz vigílias na região para tentar impedir a repressão de forças de segurança contraa a população de rua.

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