André Dusek/Estadão
André Dusek/Estadão

Bastidores: Reajuste é primeira rusga no transição para governo Doria

Haddad torceu o nariz para a proposta de aprovar agora projeto que, pela lei, pode ser apresentado pelo tucano ano que vem

Adriana Ferraz, O Estado de S.Paulo

10 Novembro 2016 | 04h00

Pegou mal na gestão Haddad a articulação independente da equipe de Doria com a Câmara Municipal. Apesar do discurso oficial de que a transição entre os governos tem ocorrido de "forma republicana", a caneta ainda está na mão do petista, que torceu o nariz para a proposta de aprovar agora projeto que, pela lei, pode ser apresentado pelo tucano ano que vem. 

Na Prefeitura, a avaliação é que os secretários municipais não precisam de aumento. Pelo menos não de forma atropelada. Eles recebem hoje R$ 19,2 mil. 

A demanda por reajustes na máquina municipal está em outro escalão. Os assessores que trabalham internamente nas secretarias ganham cerca de R$ 5 mil, o que dificulta a contratação de bons quadros. A articulação de Doria, porém, mira a elite do funcionalismo municipal e favorece diretamente quem já ganha bem, como procuradores, auditores fiscais e servidores do Tribunal de Contas do Município - o órgão responsável por fiscalizar todos os contratos firmados pela Prefeitura. 

O tucano, aliás, já visitou o TCM, antes mesmo da agenda marcada nesta quarta na Câmara. E o motivo não é segredo para ninguém: é essa classe privilegiada que pode impor dificuldades a Doria, suspendendo editais, por exemplo, ou deixando de fiscalizar o pagamento de impostos. Para os críticos de Doria, no entanto, a iniciativa deixa outro aspecto claro, a de que o discurso de gestão, de priorizar os pobres, ainda está no papel.

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.