Bastidores: Proposta de expulsar Moura partiu da cúpula do PT

Sigla não quis correr o risco de ter um filiado associado à facção criminosa mais conhecida do País em plena campanha eleitoral

Fabio Leite, O Estado de S. Paulo

31 Julho 2014 | 03h00

SÃO PAULO - A proposta de expulsar o deputado estadual Luiz Moura do PT partiu da cúpula nacional do partido e tem as eleições de outubro como pano de fundo. Além de não pôr a mão no fogo pelo parlamentar, a sigla não quis correr o alto risco de ter um filiado associado à facção criminosa mais conhecida do País em plena campanha eleitoral, embora ele ainda esteja na condição de suspeito.

No plano federal, onde o PT mira a reeleição da presidente Dilma Rousseff, a expulsão de Moura alimenta o discurso petista de que o partido, ao contrário de seus opositores, não encobre malfeitos e “corta na própria carne”. Neste caso, Moura, na visão de petistas, torna-se mais um antídoto, ao lado dos condenados do mensalão, na famigerada troca de acusações sobre corrupção que domina os embates eleitorais. Em São Paulo, por exemplo, dirão que o governador Geraldo Alckmin (PSDB) não afastou secretários investigados no escândalo do cartel do Metrô e destacarão que os réus do mensalão tucano ainda não foram julgados.

No plano estadual, a permanência de Moura no PT minaria uma das principais armas do candidato petista ao governo. Alexandre Padilha iniciou a campanha justamente acusando o governo tucano de ser o responsável pelo surgimento do PCC. O ex-ministro, aliás, chegou a ter a candidatura ameaçada depois que Moura conseguiu suspender liminarmente na Justiça a convenção estadual do partido que oficializou a chapa estadual. Isso porque o deputado foi excluído da lista de candidatos da sigla.

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