BASTIDORES: para cúpula petista, Haddad perde chance de se diferenciar

Dirigentes e políticos do PT paulista e até integrantes do secretariado de Fernando Haddad consideram que o prefeito conduziu mal o processo político ao lidar com os protestos contra o aumento da tarifa do transporte público na capital.

Fernando Gallo, O Estado de S.Paulo

18 Junho 2013 | 02h03

As críticas dos petistas ouvidos pelo 'Estado' vão do que consideram demora do prefeito para receber os ativistas do Movimento Passe Livre (MPL) - passando pela intransigência quanto ao debate da redução da tarifa - até a confusão entre o discurso político de Haddad e o do governador Geraldo Alckmin (PSDB) na semana passada. Faltou ao prefeito, segundo correligionários, condenar firmemente a ação da polícia nos protestos de quinta-feira.

Sob esse aspecto, afirmam os dirigentes do PT, Haddad levou um "chapéu" do governador. O tucano ordenou ontem que a polícia não agisse violentamente, devolvendo a questão do preço do ônibus ao centro do processo. A cúpula petista avalia que Alckmin se antecipou a Haddad no diálogo com o MPL. A reunião com o Conselho da Cidade está marcada para hoje.

Em defesa do prefeito, os dirigentes sustentam que ninguém conseguiu prever que os protestos ganhariam corpo, o que só ocorreu na quinta-feira, quando a ação violenta da polícia amplificou o debate sobre o significado das manifestações para além do aumento da tarifa. Avaliam também que, do ponto de vista administrativo o prefeito não tinha como segurar mais o aumento - o que fez até junho, a pedido da presidente Dilma Rousseff, que queria ajuda no controle da inflação. A Prefeitura nunca divulgou, em nenhuma gestão, o detalhamento das contas do transporte.

Contudo, afirmam que o prefeito perdeu a chance de se diferenciar como um líder político que ouviu o clamor dos protestos e abriu o diálogo democrático sobre o valor da tarifa, o que, esperam, deve começar a ser corrigido na reunião de hoje.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.