Bastidores: MPE optou por dividir ação sobre Máfia do ISS em ‘blocos’

Avaliação foi que não haveria como conduzir uma ação penal que incluísse vereadores, secretário, empresário e 400 empresas

Bruno Ribeiro, O Estado de S. Paulo

08 Agosto 2014 | 23h00

SÃO PAULO - Depois de conduzir a investigação de um escândalo divulgado por meses, os promotores do caso calcularam que seriam criticados por deixar empresas e políticos de fora da denúncia. Para a sociedade, os corruptores, sem os quais não há corrupção, escapariam. 

Mas a avaliação foi que não haveria como conduzir uma mesma ação penal que incluísse os vereadores citados (Antônio Donato e Paulo Fiorilo, do PT, e Aurélio Miguel, do PR), o secretário de Finanças de Gilberto Kassab (Mauro Ricardo) e um empresário ligado ao ex-prefeito (Marco Aurélio Garcia, irmão do ex-secretário estadual de Desenvolvimento Social Rodrigo Garcia), além de 400 empresas. O processo demoraria décadas, apenas na primeira instância. A opção foi dividir o caso em “blocos”: primeiro, os fiscais e, depois, intermediários. Por fim, com as primeiras denúncias já aceitas na Justiça, as empresas corruptoras. O cálculo foi feito para aumentar as chances de condenação.

Mas a ação não agradou a setores da Prefeitura, que esperavam por um “desfecho” com maior impacto político para usar como munição contra outros setores do PT, que criticaram a atuação da gestão Fernando Haddad no caso ao demitir Donato. Para grupos do PT paulistano, mesmo desmontando um esquema que pode ter desviado até R$ 500 milhões da Prefeitura, a descoberta da Máfia do ISS ainda é vista como um tiro que saiu pela culatra.

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