BASTIDORES: De prontidão desde a tarde, choque só agiu horas após saques

A Tropa de Choque demorou três horas para agir e debelar os vândalos que depredaram lojas, carros e o prédio da Prefeitura de São Paulo no centro da cidade. Os policiais estavam todos de prontidão desde o começo da tarde e o comandante-geral da PM, coronel Benedito Roberto Meira, decidiu usá-la depois do saque de duas lojas no centro. "A tropa estava pronta e levou cinco minutos para chegar ao centro", afirmou o comandante-geral.

Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

19 Junho 2013 | 02h02

Pouco antes, um grupo de 11 policiais foi perseguido por manifestantes quando se aproximou da Praça do Patriarca. Um major levou uma pedrada na cabeça e o comando deslocou dois grupos de força tática para salvar os policiais. Um desses grupos estava dentro do prédio da Prefeitura com o objetivo de impedir uma possível invasão do lugar.

"Tínhamos uma estratégia de atuação. Havia 20 mil pessoas na frente da Prefeitura. Não ia pôr 50 PMs ali para proteger vidraças", afirmou o coronel. Para ele, os homens da Guarda Civil Metropolitana (GCM) tinham equipamento - coletes e bombas de gás - suficiente para conter a multidão. Houve pelo menos um guarda ferido.

Os episódios de vandalismo começaram por volta das 19 horas, mas só às 22 horas os homens do Comando de Policiamento de Choque entraram em ação. "Prendemos muitos por furtos e danos", disse Meira.

O temor dentro do governo é que dificuldades de relacionamento da corporação com o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, leve um imobilismo na área. Meira negou qualquer problema: "Grella é um aliado".

O comandante fez questão de dizer que foi sua a ideia de proibir o uso de balas de borracha em manifestações. "Dei a ordem no domingo à noite e informei meu subcomandante." Essa ordem e a que vedou cerceamento do itinerário dos manifestantes despertou reações da corporação. Coronéis ouvidos pelo 'Estado' disseram que a ordem foi levada ao pé da letra. "Ruim com elastômero (bala de borracha), pior sem", afirmou um oficial ao 'Estado'. E comparou a situação com a do Rio, onde anteontem quatro pessoas foram feridas à bala durante a repressão aos atos de vandalismo no centro da cidade. No Comando-Geral, todos os funcionários permaneceram de prontidão. Assistiam pela televisão a destruição no centro de São Paulo.

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