Base terá de sair do Ibirapuera

Prefeitura negou processo de regularização da área pública; moradores e ONGs reclamam

Luísa Alcalde, O Estado de S.Paulo

05 de agosto de 2010 | 00h00

A Prefeitura quer despejar a base comunitária da Polícia Militar instalada na Avenida IV Centenário, na frente do Parque do Ibirapuera, zona sul. O posto policial está no local há dez anos. A medida está provocando protesto de moradores, entidades ligadas ao parque e ONGs.

Na semana passada, o 12.º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento na região, recebeu um ofício da Prefeitura comunicando que o processo de regularização pelo uso da área pública não poderia ser feito. De acordo com a Sociedade dos Moradores e Amigos do Jardim Lusitânia (Sojal), a autorização para que isso acontecesse foi negada. Sem o parecer favorável do órgão, o posto policial tem de sair.

A Secretaria de Negócios Jurídicos, por meio de nota enviada na noite de ontem, afirmou que ainda estuda as questões jurídicas para a permanência da base. Enquanto isso não ocorre, o futuro da base continua incerto.

"Após tanto tempo, a nossa permanência naquele endereço não foi mais autorizada e a comunidade já foi comunicada", afirma o major Eduardo Agrella, comandante do 12.º Batalhão, responsável pelo policiamento na região do Ibirapuera.

O aviso aos moradores foi feito na última reunião do Conselho Comunitário (Conseg) da Vila Mariana, no dia 27. Desde então, entidades passaram a se mobilizar para tentar reverter a decisão. A Prefeitura ainda recomendou à Polícia Militar que o piso do espaço ocupado pela base - de quatro metros quadrados, na lateral da Praça Professor Rossini Tavares de Lima com a Avenida IV Centenário -, seja entregue gramado.

Criminalidade. No ano passado, levantamento feito pelo Jornal da Tarde com base em boletins de ocorrência registrados no 36.º DP (Paraíso) mostrou que, de janeiro a agosto, os índices de criminalidade no parque haviam quintuplicado em relação ao mesmo período do ano anterior - de sete para 35 ocorrências. Neste ano, já ocorreram quatro assaltos a casas na região. "Se com a nossa presença lá esses eventos já ocorrem, imagina sem", observa o major.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.