Base da Polícia Militar faz segurança na frente do Shopping Cidade Jardim

Após assaltos, um dos maiores complexos de luxo da capital ganha reforço policial; no entorno há apenas algumas lojas e mansões

Rodrigo Brancatelli, O Estado de S.Paulo

31 de julho de 2010 | 00h00

A segurança do Shopping Cidade Jardim, complexo de luxo na zona sul que conta com grifes internacionais e nove edifícios residenciais, ganhou um reforço nas últimas semanas. Depois de dois assaltos no endereço, em maio e em junho, uma base móvel da Polícia Militar agora permanece estacionada logo ao lado do shopping, na entrada dos clientes.

A base foi colocada pelo 16.º Batalhão da Polícia Militar, responsável pelo policiamento na área. A reportagem do Estado flagrou o veículo por duas semanas seguidas na esquina do shopping, quase em cima da calçada do estabelecimento, tanto durante o dia quanto à noite - em algumas ocasiões, policiais da Ronda Ostensiva Com Apoio de Motocicletas (Rocam) também estavam no local, conversando com os outros policiais da base.

No entorno, além do Cidade Jardim, há apenas algumas lojas, um supermercado e casas de alto padrão. Áreas consideradas perigosas e com grande ocorrência de furtos e roubos no bairro, como duas favelas ou as Avenidas Morumbi e Giovanni Gronchi, estão a um quilômetro e meio de distância.

A administração do Cidade Jardim confirmou que pediu o reforço policial depois dos assaltos. "O shopping reforçou sua parceria com a Polícia Militar para ampliar o efetivo de segurança pública nas imediações do centro comercial, a exemplo do que se verifica em outras localidades da cidade", afirmou a Assessoria de Imprensa, por meio de nota oficial. Para o coronel da reserva da PM e ex-secretário nacional de Segurança Pública José Vicente da Silva, a situação é "absurda".

"Não pode parecer que a PM está privilegiando um determinado estabelecimento", diz. "Não sei se pode ter ocorrido alguma interferência política, mas é ultrajante. Já ouvi a associação de shoppings falando que é preciso ter reforço da PM do mesmo jeito que os estádios têm em dia de jogo de futebol, mas esse argumento é estúpido. O estádio tem o policiamento necessário por causa da multidão. Não tem de fixar uma base ao lado do shopping, só faz isso quando tem um problema crônico. Não há a menor justificativa."

Luxo. O complexo do Shopping Cidade Jardim é um dos mais luxuosos de São Paulo - seis meses antes da entrega das chaves das unidades residenciais, 80% dos imóveis de alto padrão já haviam sido vendidos, com valores que iam de R$ 2 milhões a R$ 18 milhões. Tanto luxo chamou a atenção de quadrilhas. O primeiro assalto ocorreu em maio, na joalheria Tiffany; 22 dias depois, o shopping voltou a ser alvo de assaltantes, que entraram na loja da Rolex.

CRONOLOGIA

Bandidos miram shoppings

16 de maio

Tiffany assaltada no Cidade Jardim

Oito homens fortemente armados invadem a joalheria Tiffany & Co do Shopping Cidade Jardim e levam 72 peças avaliadas em R$ 1,5 milhão

7 de junho

Rolex do Cidade Jardim também é roubada

Após 22 dias, Shopping Cidade Jardim é novamente assaltado. Quadrilha armada com pistolas e fuzil leva R$ 1,5 milhão em relógios da Corsage, única distribuidora exclusiva da Rolex na América Latina

3 de julho

Relojoaria assaltada no Ibirapuera

Três homens armados com metralhadoras invadem a S. Rolim, no Shopping Ibirapuera, levam uma coleção de Rolex e fogem correndo pelas escadas com armas em punho. Seguranças os acompanham e administração afirma que orientação é não reagir, para proteger clientes

11 de julho

Shopping popular também é alvo

Quatro ladrões levam relógios e réplicas de alianças no valor de R$ 2,5 mil da Johara Gold, no Shopping Campo Limpo. Na fuga, bandido atirou em vitrine. Ninguém ficou ferido

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