Base da PM é atacada no Morumbi

Bandido chegou a pé, atirou, e fugiu em direção a Paraisópolis; polícia investiga se caso tem relação com facção criminosa. Ninguém se feriu

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

10 Setembro 2012 | 03h03

Uma base móvel da Polícia Militar foi atacada a tiros na madrugada de ontem na Avenida Giovanni Gronchi, no Morumbi, zona sul de São Paulo. A polícia procurava, até as 20h de ontem, o responsável pelos disparos. Ninguém ficou ferido. Desde junho, policiais e unidades da PM se tornaram alvo de criminosos na capital.

Por volta das 2h10, um homem que caminhava pela Rua Laerte Setúbal se aproximou a pé e atirou cinco vezes contra os policiais da base. Um dos PMs, que estava do lado de fora, ainda tentou reagir e disparou contra o suspeito, mas não conseguiu atingi-lo. O atirador fugiu correndo em direção a Paraisópolis, próximo do local, e não foi mais encontrado pela polícia.

Segundo a Secretaria de Segurança Pública do Estado, os tiros disparados pelo suspeito atingiram a lateral e a parte superior da base móvel. O caso foi registrado no 89.º DP (Portal do Morumbi) como tentativa de homicídio. Foi solicitada perícia para o local e para a arma do PM que atirou contra o criminoso.

A polícia ainda não sabe se o ataque ocorrido ontem tem relação com a prisão de um líder do Primeiro Comando da Capital (PCC) na comunidade. Há duas semanas, policiais federais, em parceria com a PM paulista e com o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado (Gaeco), prenderam em Itajaí (SC) Francisco Antônio Cesário da Silva, o Piauí, de 36 anos, que estava foragido da Justiça. Em maio, ele recebeu o benefício da saída temporária para o Dia das Mães, mas não retornou à Penitenciária de Pacaembu, onde cumpria pena.

Piauí, que foi transferido para Avaré, controlava o tráfico de drogas na comunidade e, segundo a polícia, teria ordenado nos últimos meses ataques contra policiais militares da capital.

Morte. Em Santo André, o policial militar reformado João Luiz de Paula Ferreira, de 55 anos, foi assassinado anteontem à noite com três tiros. Os suspeitos conseguiram fugir e também não foram encontrados até as 20h de ontem pela polícia.

O ex-PM trabalhava como segurança de uma padaria na Avenida Dom Pedro II, na Vila Pires. Segundo testemunhas, ele foi baleado no peito e no braço pelo garupa de uma moto, por volta das 21h30. Os dois criminosos estavam de capacete e a moto não tinha placa.

Ferreira ainda foi socorrido por policiais militares e levado para o Hospital e Maternidade São José, também em Santo André, onde já chegou morto.

O caso foi registrado como homicídio simples no 1.º DP de Santo André, mas será encaminhado para o 3.º DP, responsável pelo local onde aconteceu o crime.

Desde o início de junho, tem se intensificado uma "guerra" entre a Polícia Militar e o crime organizado na periferia de São Paulo. Pelo menos dez bases da PM já foram atacadas por criminosos na capital e na Região Metropolitana desde então. Bairros como Itaquera e São Mateus, na zona leste, e cidades como Diadema tiveram postos da polícia atingidos a bala.

Toques de recolher impostos tanto por bandidos quanto por policiais, segundo moradores, também se tornaram constantes em bairros afastados da região central, como Capão Redondo e Parque Bristol, na zona sul. Ônibus também foram incendiados por criminosos em todas as regiões, do Itaim Paulista, na zona leste, à Brasilândia, na zona norte.

O número de policiais mortos em horário de folga também cresceu - foram 50 até agosto -, assim como as chacinas nas regiões mais distantes.

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