Barulho: queixas ao 190 crescem 226%

Moradores das zonas leste e sul de São Paulo respondem por 60% dos chamados; de sexta-feira a domingo, Polícia Militar recebe em média 1.118 reclamações

Filipe Vilicic e Marcelo Godoy, O Estado de S.Paulo

20 de junho de 2010 | 00h00

O barulho incomoda cada vez mais o paulistano. E, como chamar o síndico ou a Prefeitura nem sempre é eficaz, o jeito é apelar para a polícia e recorrer ao 190. O resultado disso está nas chamadas atendidas nos fins de semana pelo Centro de Operações da Polícia Militar (Copom) - e na explosão de reclamações por causa dos decibéis das festas, cantorias, bebedeiras, rezas e até rojões. De 2006 a 2010, os casos de "perturbação do sossego" cresceram 226%.

O Estado passou uma noite acompanhando o trabalho dos homens do Copom. Era uma sexta-feira fria e, mesmo assim, as telas de computadores do setor de despacho de viaturas receberam 448 chamados por causa de barulho. Se fosse um dia quente, esse número seria muito maior. Casos de perturbação do sossego crescem de 392 em média durante a semana para 1.118 de sexta-feira a domingo.

O problema é que cada vez mais um serviço que deveria atender emergências, como roubos com reféns, é usado para mediar conflitos causados por vizinhos barulhentos. Há, por exemplo, reclamação contra morador de favela que fecha rua para fazer festa. Só com apoio policial os moradores do Condomínio Horto do Ipê, no Morumbi, zona sul, conseguem chegar em casa. Ou jovens que fazem um quarteirão inteiro escutar a música de seus carros estacionados em um posto de gasolina de São Miguel Paulista, na zona leste.

"As queixas de barulho já ultrapassaram os crimes contra a pessoa - como homicídios e lesões corporais - entre as chamadas mais atendidas pela PM", confirma o comandante do Copom, major Ulisses Puosso. E hoje só perdem nos fins de semana para as ocorrências de crimes contra o patrimônio - como roubos e furtos - e para as brigas e discussões, as chamadas "desinteligências". "Há casos em que é necessário até enviar a Tropa de Choque para resolver o problema", diz o chefe do plantão noturno do Centro de Operações, capitão Caio Grimaldi Desbrousses.

Periferia. As zonas leste e sul respondem por 60% dos chamados contra o barulho. Igrejas e bares com alvarás, como os da Vila Madalena, na zona oeste, por exemplo, quase não causam problemas à PM. "Moradores de lá sabem que devem reclamar para o Psiu (Programa de Silêncio Urbano, da Prefeitura)", afirma o major. É a cidade clandestina, portanto, que mais incomoda. E na periferia da cidade o problema do barulho vira praga urbana. No Jardim Elisa Maria, zona norte, por exemplo, quase todo fim de semana tem reclamação. E é sempre preciso reforçar a equipe para a PM impor silêncio no conjunto Promorar, na Rua Clara Nunes. Ali, quando uma viatura chega sozinha, é apedrejada. "Multar bares com alvará é fácil", diz Puosso. "Agora, como fechar uma festa na periferia ou um boteco sem alvará?"

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