Andre Lessa/AE
Andre Lessa/AE

Barulho de obras tira o sossego de paulistanos

Expansão imobiliária de 25 mil para 39 mil novas unidades significa mais incômodo

Suzane G. Frutuoso, O Estado de S.Paulo

27 Março 2011 | 00h00

Ser vizinho de uma obra abala não só as paredes de uma casa. A estrutura emocional dos moradores do entorno também é atingida, com reflexos na saúde física. O excesso de ruído é um dos principais gatilhos do estresse. O Sindicato da Habitação (Secovi-SP) estima que serão lançadas 39 mil unidades em São Paulo em 2011. Há seis anos, eram 25 mil unidades. Sinal de que hoje a quantidade de barulho na cidade é maior.

Em 2009, 9% das reclamações contra barulho registradas no Programa de Silêncio Urbano (Psiu), da Prefeitura, eram relacionadas a obras. O problema seria menor se na madrugada as construtoras respeitassem o direito ao silêncio. Das 7 horas às 22 horas não há região da capital onde seja permitido barulho superior a 60 decibéis. Em algumas áreas, o som não pode passar dos 45 decibéis. Uma torneira pingando, por exemplo, pode render até 40 decibéis. Mas os operários trabalham como se essa diferenciação não existisse para os prédios subirem a todo vapor.

A dona de casa Teresa Delgado, de 73 anos, registrou oito processos contra uma construtora que levantou um condomínio na Vila Leopoldina, na zona oeste, na frente de sua casa, onde mora há 38 anos. "Teve caminhão trabalhando até as 2h30 da manhã. O cheiro de escapamento entrava pelo meu quarto", lembra Teresa, que foi parar no hospital com fadiga e pressão alta. Ao reclamar, o engenheiro disse: "Os incomodados que se mudem."

Teresa resolveu reclamar sobre a construtora para a Prefeitura. "Só desejava meu sossego. Já que a empresa agiu com descaso, fiz questão de sujar o nome deles com as multas emitidas pela Prefeitura."

Segundo a arquiteta Lucila Lacreta, do Movimento Defenda São Paulo, as construtoras são multadas e continuam desrespeitando as normas. "Há uma cultura da impunidade, porque sabem que a fiscalização é falha."

Síndico de um edifício no Ipiranga, na zona sul, o administrador Rodrigo Augusto, de 31 anos, enviou há uma semana reclamação sobre a obra ao lado para o Psiu. "Se em 15 dias não me responderem, entro na Justiça."

Para o advogado César Marcos Klouri, presidente da Comissão de Direito Civil da Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP), nem sempre os fiscais municipais e a polícia aparecem na hora em que o barulho ocorre. "Com a quantidade expressiva de obras na cidade, a fiscalização não dá conta. É importante que as pessoas saibam que cabe intervenção judicial contra as construtoras nesses casos."

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