Barulho de aeroporto atormenta vizinhança

Operação 24 horas incomoda moradores; segundo Daesp, nível de ruído é aceitável

JUNDIAÍ, O Estado de S.Paulo

09 Outubro 2011 | 03h01

Se para os usuários de jatinhos e helicópteros pousar em Jundiaí se mostrou uma opção confortável, quem mora nas proximidades do aeroporto - que fica a apenas 7 quilômetros do centro da cidade - tem de conviver com o incômodo do barulho dos aviões. Com uma agravante: lá o funcionamento é ininterrupto, 24 horas.

É um problema parecido com o de moradores de bairros da zona sul de São Paulo próximos de Congonhas, que opera das 6 horas às 23 horas. Os vizinhos brigam na Justiça para ter oito horas de sono. Querem que as operações do aeroporto seja das 7 horas às 22 horas, mas encontram resistência da Empresa Brasileira de Infraestrutura Aeroportuária (Infraero) e das empresas do setor.

No Rio, a vizinhança da zona sul e do centro tanto reclamou que conseguiu: o procedimento de pouso no Aeroporto Santos Dumont começa a ser mais direto, sem tanto sobrevoo pelos bairros. A medida é do Departamento de Controle do Espaço Aéreo (Decea) e deve entrar em vigor ainda neste mês.

Um atrás do outro. Em Jundiaí ainda não há uma mobilização conjunta da vizinhança. As reclamações, porém, se propagam principalmente em bairros como Eloy Chaves e Jardim das Tulipas. A dona de casa Suzana Martins, de 52 anos, mora em um condomínio no bairro Eloy Chaves, às margens do aeroporto e bem na rota dos aviões.

"É um atrás do outro. Eles passam bem em cima dos prédios na subida e na descida, que são os momentos mais críticos de um voo", relata a moradora.

Suzana afirma que foi impossível não notar, na prática, o crescimento do aeroporto, inaugurado nos anos 1940. "Mudou muito o perfil. Se antes você só via teco-teco e avião planador, hoje são grandes helicópteros e jatos de alta potência. Sei porque o barulho é muito maior."

Vizinha de Suzana, a também dona de casa Vilma Brunor, de 56 anos, fica incomodada com o horário em que esses aviões passam mais. "À noite, o movimento é mais intenso, por volta das 23 horas." Pilotos e donos de aeronaves explicam que é exatamente o horário em que Congonhas fecha e os aviões seguem para Jundiaí.

Na rota. Na casa do personal trainer Thiago de Sordi, contar os aviões que passam à noite já faz parte da rotina. "O barulho é tão forte que a gente até brinca: 'esse vai cair aqui'", diz. Para o funcionário público Daniel Leão, de 50 anos, o barulho existe, mas não chega a incomodar. "O problema é se vier avião grande para cá."

Um "projeto de monitoramento de ruído do Aeroporto de Jundiaí" está em desenvolvimento pelo Departamento Aeroviário do Estado de São Paulo (Daesp), que administra as operações.

Segundo o órgão, um estudo sonoro feito na vizinhança indicou que o nível de decibéis está dentro dos parâmetros, mas ainda falta a análise da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb), ligada à Secretaria Estadual do Meio Ambiente.

O aeroporto tem ainda uma área resguardada para teste de motores - o que, segundo o Daesp, minimiza o barulho. A prefeitura de Jundiaí informa que "não há registro" nos canais de comunicação municipais sobre ruídos vindos do aeroporto. / NATALY COSTA

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