'Barulho da primeira paulada ainda está na minha cabeça'

Quinto suspeito, que é considerado foragido, teria iniciado agressão à dona de casa; ele ainda teria arrastado a vítima

O Estado de S.Paulo

11 Maio 2014 | 02h19

Quinto suspeito identificado pela polícia de ter participado do linchamento da dona de casa Fabiane Maria de Jesus, de 33 anos, Abel Vieira Batalha Junior, de 18 anos - o Pepê -, teria iniciado a agressão. Segundo três testemunhas, ele teria dado a primeira paulada na cabeça de Fabiane quando um grupo começava a persegui-la.

"Aquele barulho da paulada na cabeça dela ainda está na minha cabeça", diz uma comerciante, que pediu anonimato, colocando as mãos no rosto como se estivesse ouvindo de novo o ataque. "Já tinha muita gente em volta dela, depois que alguém disse que era a sequestradora. Ele (Pepê) perguntou para outro rapaz: 'É ela mesma, boy?' O cara disse que sim e ele deu a paulada", conta. "Depois não pararam mais de bater", diz outra testemunha, que também pede para não ser identificada.

Segundo a polícia, Pepê teria ajudado a amarrar e arrastar a vítima. Ele é considerado foragido, e segundo moradores, não é visto no bairro desde o início da semana passada - os outros quatro suspeitos estão presos. O jovem mora na área conhecida como palafitas, onde termina o bairro, numa rua paralela do local onde Fabiane foi morta.

A comerciante diz que, após o início do espancamento, a reação foi de desespero. "Eu saí correndo para dentro de casa, como se tivesse havido um tiroteio." Com olhos marejados, conta que não tem conseguido dormir. "Fico pensando se fosse minha filha, mas temos de tocar a vida", diz, chorando. "Não consigo entender como a família dela tem resistido."

A polícia tem recorrido aos vídeos para fazer a identificação dos participantes. Entre os presos, o ajudante de pedreiro Jair Batista dos Santos, de 35 anos, é apontado como o responsável por jogar o corpo da dona de casa em uma vala. Os outros presos são: o eletricista Valmir Barbosa, de 48 anos, (que aparece golpeando a cabeça da vítima com uma madeira), o ajudante de pedreiro Lucas Rogério Lopes, de 19 anos, e o ajudante de pintura Alex Oliveira de Jesus, de 23. O advogado Marco Botelho, que defende os últimos três acusados, diz que não há argumentos para negar a autoria. "Vamos lutar para atenuar a pena, diante da proporcionalidade da conduta. Há um multidão envolvida e não pode haver só quatro responsáveis." / P.S.

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