Epitacio Pessoa/AE
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Barulho ajuda a transferir peixes no lago do Ibirapuera

Necessária para dar início ao desassoreamento do lago 1, a migração teve início ontem com auxílio de um sonorizador

Ana Bizzotto, O Estado de S.Paulo

19 de novembro de 2010 | 00h00

O sonorizador - feito com um cabo de vassoura e a boca de uma garrafa PET - parece improvisado, mas nas mãos de pescadores contratados pela Prefeitura, eles funcionam perfeitamente para transferir os peixes do lago 1 para o lago 2 do Parque do Ibirapuera, na zona sul de São Paulo. Ao ser batida na água, a ferramenta faz um som que motiva o peixe a migrar para o local desejado.

"É como um berrante. Batemos no fundo, ele pega pressão e faz um barulho que assusta o peixe", explica a pescadora Vanderléa Rochumback. "É a forma menos invasora de transferi-los", afirma o mestre em aquicultura João Alexandre Osti.

A transferência dos peixes é o primeiro passo para a operação de desassoreamento do lago 1, que está sendo feita pela primeira vez. Para evitar que eles voltem, foram colocadas ontem redes, que serão substituídas hoje por barreiras de sacos de areia que permitem a vazão de água.

"Iniciamos a transferência antes para diminuir a população de peixes e facilitar a retirada do gradeado (troncos, galhos e outros objetos)", diz Fernanda Frediani, gestora ambiental da VA Saneamento Ambiental, vencedora da licitação de R$ 3,92 milhões.

O gradeado será retirado até quinta-feira. E como nem todos os peixes sairão só com o sonorizador, uma rede de arrasto será usada na transferência final, marcada para o dia 29 e que deve durar dois dias. No início de dezembro, começa o desassoreamento. Quatro mil toneladas de sedimentos serão retirados por sucção e, depois de separados, vão para um aterro em Itapevi. O processo vai durar quatro meses.

O secretário do Verde e do Meio Ambiente, Eduardo Jorge, acompanhou os trabalhos ontem. "A manutenção será facilitada porque já fizemos o controle do córrego (do Sapateiro, que deságua no lago). Fechamos 49 pontos de esgoto clandestinos."

Para Roberto Capalbo, que retira com outros funcionários 15 quilos de lixo por dia dos lagos, o desassoreamento "já devia ter sido feito há mais tempo". "Será uma ajuda para nós."

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