Barragem deve livrar Paraitinga de enchente

Estado estuda obra para evitar alagamentos na cidade histórica, que foi arrasada pelas chuvas há 2 anos. Projeto vai custar R$ 100 milhões

JOÃO CARLOS DE FARIA , ESPECIAL PARA O ESTADO / TAUBATÉ, O Estado de S.Paulo

19 de janeiro de 2012 | 03h04

O Departamento de Águas e Energia Elétrica (Daee) planeja construir uma barragem em São Luiz do Paraitinga, a 171 km de São Paulo, para evitar novos alagamentos e tragédias como a ocorrida há dois anos, quando a cidade histórica foi praticamente destruída por uma enchente de grandes proporções. De acordo com o plano de macrodrenagem elaborado pelo órgão estadual, a barragem seria a melhor forma de controlar a vazão do Rio Paraitinga, que em 2010 chegou a atingir mais de 10 metros acima de seu curso normal.

O custo inicial da obra - com previsão de 70 milhões de metros cúbicos de capacidade - será de R$ 100 milhões, conforme cálculos do órgão. A construção da barragem faz parte do plano de intervenções do Daee para minimizar os riscos de enchentes em São Luiz do Paraitinga, mas atualmente a prioridade é a construção de um polder de proteção.

"A barragem é uma perspectiva real e seria a terceira fase desse plano, pois se trata da alternativa mais interessante na relação custo-benefício", explicou o chefe de gabinete do Daee, Giuliano Savioli Deliberador. Segundo ele, com a construção, a cidade estaria protegida por pelo menos mais 50 anos.

Polder. Barreira física para impedir que a cidade seja atingida pelas águas, o polder deverá ser construído ainda neste ano. Ele faz parte de um conjunto de obras que prevê muro com altura variável entre 1 e 2 metros, uma galeria embaixo da rua, bombas para controle da vazão das águas e até um boulevard para valorizar o entorno. A obra permitiria o aprofundamento da calha do rio.

"Essa obra depende de licenciamento e, como a cidade é histórica, o processo é moroso", admitiu Savioli. A construção do polder e da barragem aumentariam a vazão do rio de 160 m³ para 230 m³ por segundo.

Investimentos. Cerca de R$ 13,5 milhões já foram investidos na primeira fase do plano, que compreende os serviços de desassoreamento e derrocamento, além de R$ 1,5 milhão em estudos e projetos.

Em dezembro passado, foi concluída a instalação de 12 postos de telemetria que medem índices de chuvas (pluviômetros) e o nível dos rios (fluviômetros) na bacia dos Rios Paraitinga, incluindo o Rio Paraibuna e o Ribeirão do Chapéu.

O conjunto integra o sistema de monitoramento da bacia do Rio Paraíba do Sul, que será composto por 30 postos e deverá ser inaugurado ainda neste mês. Em uma segunda etapa, com investimento de R$ 900 mil, serão instalados, ainda no primeiro semestre, mais 10 postos na bacia do Paraíba do Sul.

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.