Barrado na Espanha, artista baiano prepara protesto

Impedido pela imigração espanhola, em Madri, de fazer conexão para Milão, na Itália, onde participaria da abertura de uma exposição de artes, o artista plástico baiano Menelaw Sete afirma que está programando um protesto na frente do Consulado da Espanha em Salvador.

TIAGO DÉCIMO, SALVADOR, O Estado de S.Paulo

22 de maio de 2012 | 03h02

Segundo ele, a intenção é reunir outros artistas na frente da sede da instituição, ainda nesta semana, para se manifestarem contra a forma como ele e outros barrados em território espanhol têm sido tratados. "Foi uma humilhação", conta.

Menelaw Sete, de 47 anos, conhecido como Picasso baiano, era convidado da organização da exposição para a abertura do evento e, de lá, seguiria para Brissago, na Suíça, onde pintaria um painel, a convite do Centro Dannemann.

Embarcou na noite de quinta-feira em voo direto de Salvador para Madri, de onde seguiria para a Itália. Mas, na manhã de sexta-feira, não pôde desembarcar. Com outras 40 pessoas, das quais quatro brasileiras, ficou retido em uma área restrita do Aeroporto de Barajas, até ser deportado na manhã de sábado.

De acordo com autoridades espanholas, faltou a Menelaw o carimbo da polícia italiana na carta-convite apresentada por ele à imigração. O documento estava assinado por seu empresário na Itália, Ezio Dellapiazza.

O artista argumentou que, em 15 anos de viagens à Europa, sempre apresentou os mesmos documentos - e chegou a mostrar a autorização de entrada concedida, no mesmo aeroporto, no ano anterior, sem convencer os agentes de imigração.

Nas horas em que ficou retido, Menelaw retratou em desenhos, feitos com uma caneta esferográfica em um caderno, o sofrimento das pessoas que, como ele, não conseguiram entrar no país. Segundo ele, há sinais de racismo na "seleção" dos impedidos de ingressar na Espanha. "Não havia brancos, apenas mulatos e negros entre os barrados", afirma Menelaw.

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