Barraca de sucateiro tem notebook e conexão à internet

Rapaz gosta de conversar com amigos e familiares pelo Facebook, participar de jogos online e ler sobre reciclagem

O Estado de S.Paulo

09 Junho 2013 | 02h02

Ricardo do Espírito Santo não usa a barraca de camping, conhecida como iglu entre os moradores de rua, apenas para se proteger, mas também para esconder um hobby.

Quando volta do trabalho - ele recolhe sucata na rua -, liga o computador para navegar na internet. Ele mora na rua, mas é totalmente conectado às redes sociais. Conversa com amigos e parentes pelo Facebook, disputa jogos online e ainda se atualiza sobre o mercado da reciclagem. O sinal de Wi-Fi é roteado do celular e ambos são carregados por uma bateria de carro, que mantém na carroça.

"Comprei o computador nas Casas Bahia, em prestações. Dei o endereço de uma empresa que trabalhava na época. Faz mais de um ano. E o celular uso para trabalhar. O pessoal me chama em casa para retirar papelão, madeira, ferro. Ajuda muito poder passar um contato", diz. O rendimento vale o custo. A cada dois dias, ele tem de pagar R$ 20 para carregar a bateria. "Mas ganho até R$ 150 por dia trabalhando uma média de 16 horas."

Nas ruas desde os 12 anos, Santo é do interior do Estado. A mãe lhe mandou dinheiro durante a adolescência, o que permitiu que ele completasse o ensino médio. "Poderia voltar para casa, minha família tem dinheiro, mas não quero. Também poderia alugar uma casa, mas aí ficaria com preguiça de trabalhar. Aqui tenho a minha liberdade. Ando a cidade inteira e Deus dorme comigo. Estou seguro", completa. / T.Q. e A.F.

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