Barra Funda terá 'cidade do samba' já no carnaval 2012

Obra custará R$ 124 milhões - R$ 54 milhões a mais do que o projeto carioca que o inspirou - e será feita a 2 km do sambódromo

Tiago Dantas, O Estado de S.Paulo

12 de agosto de 2010 | 00h00

A "cidade do samba" paulistana custará pelo menos R$ 124 milhões, vai ficar na Barra Funda (zona oeste), a 2 quilômetros do sambódromo do Anhembi, e deve receber os barracões do Grupo Especial já para o carnaval de 2012.

O nome da empresa que vai construir a Fábrica dos Sonhos, que agrupará os barracões das 14 escolas de samba do Grupo Especial do carnaval de São Paulo, será conhecido na segunda-feira. As propostas comerciais dos três grupos que estão participando da licitação foram abertas ontem. No entanto, o valor mínimo já é dez vezes superior ao que se previa inicialmente. A promessa inicial era de que o complexo custasse cerca de R$ 12 milhões e estivesse pronto em 2009.

Já na primeira licitação da gestão Serra-Kassab, em 2008, o valor chegou a R$ 30 milhões. As escolas o usariam para preparar o carnaval de 2010. Agora, a previsão da Liga Independente é de que as obras terminem antes do desfile de 2012. O valor seria maior do que o gasto na Cidade do Samba do Rio - R$ 70 milhões.

Inspirada abertamente na "fábrica de carnaval" carioca, inaugurada em 2005 para abrigar os barracões do Grupo Especial, a Fábrica dos Sonhos paulistana será construída em um terreno de 77 mil metros quadrados localizado entre a Marginal do Tietê e a Avenida Doutor Abraão Ribeiro, na Barra Funda, zona oeste. O projeto prevê a construção de 14 galpões de 5.608 metros quadrados cada, que serão utilizados pelas escolas de samba para construir carros alegóricos e produzir fantasias. Haverá, ainda, um espaço para acolher shows e eventos diversos, que recebeu o nome de Casa de Bambas.

A intenção da Prefeitura é transformar o espaço em um ponto turístico. "É uma forma de as escolas terem uma renda extra. Os turistas vão poder conhecer o trabalho das agremiações o ano inteiro e poderão fazer shows em um lugar adequado", afirma Paulo Sérgio Ferreira, presidente da Liga Independente e da Unidos de Vila Maria.

Transporte. A obra também deve diminuir os transtornos causados pelo transporte dos carros alegóricos até o sambódromo, no Anhembi, durante o carnaval. O percurso da Fábrica dos Sonhos ao local dos desfiles tem cerca de dois quilômetros. As agremiações só terão de atravessar a Ponte da Casa Verde.

Atualmente, os barracões se espalham pelas diversas regiões da capital, o que provoca a mobilização de agentes da Companhia de Engenharia de Tráfego (CET) para os desfiles. A maioria das escolas ainda ocupa irregularmente áreas públicas ou de risco no Município. Com raras exceções, os barracões exibem construções precárias, improvisadas. Sem estrutura, ainda ficam sujeitos a problemas com chuvas (como as do início deste ano), que chegam a destruir a maior parte das alegorias.

O plano inicial, elaborado pela SP Urbanismo, empresa vinculada à Secretaria Municipal de Desenvolvimento Urbano, prevê ainda a criação de uma área para reciclagem de materiais, como isopor e fibras metálicas. Dentro da Fábrica dos Sonhos deve funcionar também o Barracão Escola, onde serão formados artistas que possam trabalhar com figurino e cenografia.

Em média, cada escola de samba do Grupo Especial emprega de 120 a 200 pessoas para produzir um desfile. "É um grande projeto. Nossa expectativa é que já possamos usá-lo para o carnaval de 2012", afirma Ferreira.

A concorrência. O consórcio Schahin/Passarelli apresentou, ontem, uma proposta de R$ 124,1 milhões, mais baixa que os R$ 124,6 milhões oferecidos pelo consórcio Engeform/Andrade Gutierrez e os R$ 124,9 milhões da Construtora OAS. Antes de apresentar o vencedor da licitação, a Comissão Especial de Licitações da SP Obras vai verificar se os valores apresentados pelas concorrentes estão corretos.

A comissão também checará se as construtoras não estão oferecendo nenhum material por um preço mais alto do que o estipulado pela SP Obras. O resultado dessa conferência será apresentado na segunda-feira. Quem perder terá cinco dias para entrar com recurso.

Rivalidade entre torcidas fez TCM questionar obra

O projeto Fábrica dos Sonhos, idealizado pela São Paulo Turismo (SPTuris) em 2005 e lançado em janeiro de 2008 pelo prefeito Gilberto Kassab (DEM), entrou novamente em fase de licitação em dezembro de 2009 - a primeira concorrência havia sido suspensa em outubro de 2008, após questionamentos do Tribunal de Contas do Município (TCM).

O tribunal questionou como escolas ligadas a torcidas organizadas (como Mancha Verde e Gaviões da Fiel) dividiriam o mesmo espaço. Havia ainda a preocupação de como as agremiações que caírem para o Grupo de Acesso vão lidar com a obrigação de sair da fábrica.

Após a divulgação dos questionamentos pela Prefeitura, a Emurb suspendeu a concorrência, apesar de o governo considerar que a briga entre as torcidas - pelo menos no samba - ficou no passado. Gaviões e Mancha já chegaram até a desfilar com casais trocados de mestre-sala e porta-bandeira.

Mas uma divisão que o projeto da Fábrica ainda não superou é o do próprio samba paulistano. Atualmente, as escolas estão divididas em duas agremiações: a Liga e a Superliga.

ONDE ESTÃO HOJE

Zona norte

Acadêmicos do Tucuruvi (Tucuruvi); Império de Casa Verde (Casa Verde); Mocidade Alegre (Limão); Rosas de Ouro (Freguesia do Ó); Unidos do Peruche (Limão); X-9 (Carandiru); Unidos de Vila Maria (Vila Maria)

Zonas oeste e centro

Águia de Ouro (Pompeia); Mancha Verde (Barra Funda); Pérola Negra (Vila Leopoldina); Tom Maior (Barra Funda); Gaviões da Fiel (Bom Retiro); Vai-Vai (Bela Vista)

Zona leste

Nenê de Vila Matilde (Penha)

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