Luis Zabreg/Efe – 12/06/2011
Luis Zabreg/Efe – 12/06/2011

Bariloche quer voltar a ser ''Brasiloche''

Após um mês de junho sem brasileiros, o centro de esqui argentino tenta fazer turismo renascer, enquanto caem cinzas, neve e preços

Ariel Palacios, O Estado de S.Paulo

10 Julho 2011 | 00h00

Até 4 de junho, Bariloche se preparava para receber 35 mil brasileiros e, assim, continuar ostentando o nome informal de "Brasiloche", uma carinhosa ironia que os próprios barilochenses fazem - o Brasil representa metade do total do fluxo turístico estrangeiro. Foi quando ocorreu a erupção do vulcão chileno Puyehue e a nuvem de cinzas fechou aeroportos. Pior: junho foi um mês sem brasileiros em Bariloche - e a cidade ainda os espera.

Até anteontem, voos na Argentina não saíam, por causa das cinzas, que já atrapalham os torcedores da Copa América. Os brasileiros ainda não voltaram. "Temos conexão terrestre sem problemas. A maioria das excursões está funcionando e o lago, navegável. Além disso, preparamos ações para recuperar os turistas, incluindo a redução dos preços, além de comunicar ao mundo que este é um destino turístico normal", disse Héctor Barberiz, presidente do Ente Misto de Promoção Turística (Emprotur) de Bariloche.

No entanto, a retomada do funcionamento do aeroporto de Bariloche segue completamente indefinida. A prefeitura local afirma que voltará a operar normalmente só a partir de quinta-feira. Enquanto isso, os voos provenientes de Buenos Aires estão sendo desviados para a cidade de Esquel, no norte da província de Chubut, a 280 quilômetros ao sul de Bariloche.

O presidente da Associação de Hotéis de Bariloche, Hugo de Barba, disse ao Estado que do total de 135 mil turistas argentinos e estrangeiros esperados para a temporada de inverno deste ano em Bariloche, "teremos somente a metade". A expectativa para julho era de receber cerca de 16 mil brasileiros - o que ainda deve ser revisado para baixo -, além de outros 8 mil a 9 mil em agosto. "O resto viria em setembro (cerca de 80% do que era previsto inicialmente para este mês)", diz.

O presidente da Associação de Hotéis sustentou que no pior momento da crise vulcânica, em junho, quase 100% dos hotéis fecharam suas portas e deram férias coletivas a seus empregados. "Mas, um mês depois, 90% já reabriram."

Os setores hoteleiro e gastronômico de Bariloche, para atrair os turistas, estão oferecendo descontos de 30% em média. "Caem as cinzas, caem os preços!" é a frase bombástica que se espalha nas vitrines das lojas. Já a neve começou a cair na semana passada sobre a área. A expectativa é de que as montanhas nos arredores de Bariloche terão o nível suficiente na próxima precipitação, que deve ocorrer neste fim de semana, segundo os meteorologistas.

Turismo solidário. Enquanto isso, Bariloche tenta recuperar-se com medidas inéditas, como os pacotes de "turismo solidário", que consistem em viagens de ônibus, estadia de poucos dias, com uma excursão para ajudar as pessoas que moram na região de Bariloche, especialmente na área rural. Ali, os pequenos pecuaristas de ovelhas precisam de ajuda para alimentar seus animais com forragem, já que as cinzas cobriram os pastos.

A ideia foi de Adrián Danneman, diretor da agência turística Danneman, que disse ao Estado que "é uma coisa muito louca, pois vai gerar amizades entre os habitantes da área rural e os turistas". O turismo solidário também inclui a doação de material escolar aos alunos de Bariloche, entre outras atividades.

O empresário convenceu mais de 7 mil barilochenses há duas semanas a fazer um mutirão sem precedentes na cidade para limpar as cinzas das ruas. Segundo ele, o turismo não é uma atividade para a diversão, "mas também para conhecer outras realidades". Danneman afirmou que com o mutirão os barilochenses removeram cinzas que encheram mil caminhões por dia. "Essa ação induziu toda a população a fazer uma autogestão da limpeza de cada espaço."

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