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Bares reclamam e taxistas elogiam maior fiscalização

Sindicato diz que ampliação das operações vai 'intimidar' clientes. Empresas e motoristas de táxis esperam aumento de passageiros

Camilla Haddad, O Estado de S.Paulo

09 de agosto de 2010 | 00h00

Operação. PMs participam de blitz na Francisco Matarazzo: rigor da lei seca já surtiu efeito    

 

 

 

A ampliação das blitze para todos os dias da semana não agradou ao setor de bares e restaurantes de São Paulo, mas é vista como possibilidade de aumento dos lucros pelos taxistas.

"Vai intimidar os clientes e os estabelecimentos serão prejudicados", afirma Sérgio Martins Machado, diretor jurídico do Sindicato de Hotéis, Restaurantes, Bares e Similares de São Paulo. "O bar não está ligado só ao fornecimento de bebida, tem comida também. Às vezes, a pessoa fica com medo de ir aos restaurantes. Vira um trauma."

Machado acredita que o trabalho da Polícia Militar está tomando um rumo inadequado. "A polícia tem de se preocupar com a segurança da cidade. Tem de sair para prender ladrões", reclama. A Polícia Militar afirma que as blitze estão entre as atribuições dos policiais de São Paulo. Ainda segundo o diretor do sindicato de bares e restaurantes, os estabelecimentos têm mantido o funcionamento com medidas como convênios com táxis para clientes e outros serviços semelhantes.

Táxi. Ricardo Auriemma, presidente da Associação de Empresas de Táxi de Frota do Município de São Paulo (Adetax), afirma que logo que a lei entrou em vigor, em 2008, houve uma procura constante pelo serviço de táxi. "Com o passar do tempo, essa demanda caiu. Conversando com os motoristas, eles me disseram que atualmente, dependendo do local da operação (blitz da PM), há um leve aumento perto de bares." De acordo com Auriemma, com a fiscalização ampliada, a situação pode melhorar. "Há reflexo no serviço sempre que há aumento de blitze. Pode ser que as pessoas passem a usar mais os táxis."

O taxista José Soares espera crescimento no número de passageiros. Com ponto na Vila Madalena, zona oeste, ele diz que o movimento caiu há um ano. "Com as blitze intensas, poderemos ter uma procura maior."

Flagrantes. Segundo a PM, a fiscalização já surtiu efeito. O porcentual de motoristas embriagados pegos no bafômetro tem caído de forma gradual desde 2007, quando as operações começaram. Naquele ano, 17% dos condutores abordados estavam alcoolizados. No primeiro semestre deste ano, esse índice caiu para 2%. "Houve uma conscientização", diz o professor da Faculdade de Psicologia da Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP) Ari Refheld. "A lei seca promoveu muita discussão e isso ajuda a pensar no assunto."

Em maio, a Polícia Militar da capital já havia mudado de estratégia, ao reduzir o tempo de duração das blitze. O objetivo era evitar a troca de informações pelo Twitter sobre os pontos de fiscalização.

Cantora em blitz

A cantora Elba Ramalho teve a habilitação suspensa na sexta após se negar a fazer o teste do bafômetro em uma blitz no Rio.

Flagrados tentam escapar: "sabe com quem está falando?"

Frases como "meu pai é juiz" ou "trabalho no gabinete do governador" são algumas das desculpas ouvidas pelos policiais que abordam motoristas nas fiscalizações da lei seca. "Sofremos com isso. Temos de ouvir e explicar que o cargo ou a filiação não muda nada", diz um sargento que participa das ações e identificou-se como Edmilson.

Na blitz acompanhada pela reportagem na Avenida Francisco Matarazzo, zona oeste de São Paulo, um jovem flagrado pelo bafômetro gritou, bateu no carro e teve de ser contido por PMs. "Ele disse que o pai é juiz. O pai foi chamado e, ao chegar, tentou acalmar a situação", conta o sargento Edmilson. "Casos assim são comuns. Tem gente que fala que é advogado, critica, mas estamos cumprindo a lei", afirma.

Os policiais militares dizem que há casos em que o motorista diz que é advogado. "Também aparece gente dizendo que é filho de político", revela um soldado, que pediu para não ser identificado. "Geralmente esses motoristas estão em carros importados. Acham que podem tudo. Infelizmente, pais perdem filhos em acidentes e a lei veio para acabar com isso."

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