Barcos ''a jato'' diminuem viagens na Amazônia

Turistas podem aproveitar feriado para conhecer redutos do Norte do País em embarcações mais rápidas que as tradicionais

Liege Albuquerque, O Estado de S.Paulo

06 Março 2011 | 00h00

Passar o carnaval conhecendo o interior da Amazônia está mais fácil. Com o aumento dos barcos a jato, já dá para eliminar parte das grandes distâncias de dias e dias de viagem pelos rios, sem abrir mão de viajar na água. Uma viagem para Parintins, por exemplo, que fica a 325 quilômetros de Manaus, é feita em um dia nas embarcações regionais tradicionais. As lanchas "a jato" gastam sete horas. As características da embarcação também mudam: nada de redes no convés, mas poltronas confortáveis, lembrando mais o interior de um avião.

Pioneiro no negócio, José Aguiar, de 53 anos, conta que o "A Jato 2000" foi o primeiro barco de passageiros rápido pelos rios do Amazonas. "A lancha, com capacidade para 40 pessoas, nunca causou acidentes", orgulha-se Aguiar, hoje dono de lanchas a jato e de um porto privado exclusivo para barcos rápidos em Manaus.

Segundo estimativa da Capitania dos Portos, dos cerca de 100 mil barcos que navegam pelos rios do Amazonas, pelo menos 15% já são embarcações "a jato", com motores mais potentes - normalmente, usando dois, em vez de um.

Comodidade. "Deveria haver muito mais desses barcos. A rapidez e a comodidade são incríveis. Trata-se de embarcar arrumado com a mesma roupa e sair como de um avião", destaca o bancário Josué Bezerra, de 28 anos, que só cogita a alternativa dos barcos rápidos quando não consegue vaga em aviões ou o município para onde vai não tem pista de pouso, como Barreirinha, a 328 quilômetros de Manaus. "Até durmo na poltrona."

As psicólogas Dulcilene Pinheiro, de 43 anos, e Risoleyde Matos, de 50, foram companheiras de viagem de Bezerra na manhã do dia 18. Comemoravam chegar a Barreirinha às 14 horas, depois de sair de Manaus às 7 horas. Em um barco regional, seriam pelo menos dois dias de viagem. "Sem contar a segurança que passa ao entrar em um barco com salva-vidas à mostra", diz Dulcilene.

Paisagem. Para a estudante Jaíza Lopes Andrade, de 19 anos, o melhor atrativo de viajar de barco não se perde no "a jato": observar a paisagem. "Embora a viagem seja mais rápida, você tem os janelões de vidro para ficar olhando e, ainda por cima, vai aproveitando o ar-condicionado, assistindo a um filme, comprando um lanchinho e sem carapanãs (mosquitos)", destaca.

O proprietário do barco Pérola, José Paez, de 46 anos, diz que o preço das passagens, superior em até 60% ao que se cobra nos barcos regionais, não assusta o passageiro. "Quem vem sabe que vai pagar mais pelo conforto, pela segurança e, principalmente, pela rapidez", defende. Segundo ele, sua lancha, que navega há oito anos, além de nunca ter sofrido acidentes, ficou poucas vezes no "prego". "Mas é algo rápido, porque temos material e equipe de reparos na embarcação."

E, como a rapidez das lanchas é por conta do uso de dois motores, normalmente se algum não funciona o outro está lá. "Nunca ouvi falar dos dois motores pifarem no meio do rio. Se um dos dois pifa, o tempo da viagem fica um pouco maior, mas nem tanto, porque o motor é potente mesmo sozinho. Mas é muito raro ocorrer problemas."

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