Barco que naufragou no Chile tem vazamento

Autoridades apuram tamanho da contaminação; expectativa é de retirar o Mar Sem Fim do gelo antártico e selar tanques no segundo semestre

SANTIAGO, O Estado de S.Paulo

10 de maio de 2012 | 03h04

Uma expedição binacional das Marinhas do Chile e do Brasil detectou um vazamento de combustível no barco brasileiro Mar Sem Fim, que naufragou na Baía de Fildes, na Antártida, em 7 de abril. O acidente aconteceu a 500 metros da costa chilena e a embarcação, cujos tanques de combustível têm capacidade para 8 mil litros de diesel, encontra-se afundada e presa ao gelo, a 12 metros de profundidade.

O Mar Sem Fim pertence ao jornalista e ex-diretor da Rádio Eldorado João Lara Mesquita, que realizava um documentário na área, com o auxílio de três tripulantes. Os quatro tiveram de deixar o barco depois que a meteorologia anunciou a chegada de um furacão, com ondas de até 10 metros de altura, que colocaria em risco a sobrevivência do grupo. Antes disso, durante três dias, com o tempo já adverso, navegaram pelo continente gelado, tentando levar a embarcação a um local seguro. O grupo acabou resgatado pela equipe da Base Presidente Eduardo Frei.

"Pudemos constatar traços de diesel em um setor da baía. Provavelmente, está saindo dos tanques de combustível do barco", explicou o governador marítimo antártico do Chile, o capitão de fragata Eduardo Rubillar, à Televisão Nacional.

"Estou em contato semanal com a base chilena e sei do vazamento, mas ainda não sabem dizer o tamanho. Enviei para eles a planta do barco e expliquei como fechar os registros dos tanques, que é provavelmente de onde está vazando", disse João Lara Mesquita. "Não acredito que tenha vazado tudo (8 mil litros). Pelas fotos que me mandaram, vi o casco destruído, mas a destruição não chega aos tanques."

"A ideia agora é retirar a embarcação do mar e selar o combustível", completou Rubillar. Ele destacou também que os militares chilenos estão em contato direto com os brasileiros, uma vez que os protocolos estabelecidos no chamado Tratado Antártico preveem que o país de origem da embarcação é que deve se responsabilizar por minimizar os efeitos da contaminação.

Inicialmente, imagina-se que só será possível selar os tanques quando o gelo começar a retroceder, provavelmente em outubro. "Desde que desci do barco, no mínimo uma vez por semana troco correio (e-mail) com eles (da base chilena), falando sobre como tirar o barco de lá no próximo verão e trazer para o Brasil ou para a América do Sul", completou João Lara Mesquita. "Lá, não pode ficar." /BRUNO RIBEIRO, COM AFP e AP

Encontrou algum erro? Entre em contato

Comentários

Os comentários são exclusivos para assinantes do Estadão.

Tendências:

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.