Bar na Chácara Flora sofre arrastão

No 7º caso do ano na capital, bando invadiu estabelecimento no sábado à noite e agrediu clientes com chutes, socos e coronhadas

MÔNICA REOLOM, O Estado de S.Paulo

28 Março 2013 | 02h03

O uso da violência marcou o sétimo arrastão em restaurante neste ano na cidade de São Paulo. Pelo menos oito homens armados desceram de um carro e de uma moto na frente do Boteco Dona Rosa, na Chácara Flora, zona sul da capital, às 23h50 de sábado. Cerca de 40 pessoas que estavam no local foram surpreendidas por chutes, socos e coronhadas, segundo as vítimas.

Os criminosos chegaram gritando para que quem estivesse do lado de fora do bar entrasse no estabelecimento. Quem não se apressava levava pontapés e socos.

Segundo uma cliente, que pediu para não ser identificada, um dos bandidos tentou arrancar a bolsa de sua amiga e, como ela não havia percebido que se tratava de um assalto, virou-se e reclamou. Foi quando um dos bandidos começou a gritar e a xingá-la, tentando arrancar a bolsa à força. Logo que a mulher a entregou, o assaltante deu um soco em sua nuca.

Dentro do recinto, eles pediram para que todos deitassem no chão. "Fomos divididos e jogados em dois cantos do bar. Onde eu estava, só consegui ouvir xingamentos. Eles deram dois socos num menino que estava lá. Quando levantei os olhos para ver o que estava acontecendo, um deles estava chutando uma menina nas costas. Ouvi depois uma gritaria e uma garrafa quebrando", afirmou uma vítima. Outra cliente teria implorado para que os homens fossem embora, pois já não havia mais nada a entregar. Conforme o seu relato, alguns assaltantes usavam máscaras para esconder o rosto, mas pelo menos dois estavam com as faces descobertas. "Eles aparentavam menos de 18 anos. Pareciam nervosos, gritavam e tremiam", disse.

Um dos assaltados que foi agredido relatou ontem que, quatro dias após o ocorrido, continuava com dormência do lado esquerdo da face. Ele disse que estava do lado de fora quando ouviu "vai, vai, vai" dos bandidos.

Após olhar por cima do ombro para tentar entender a situação, levou o primeiro golpe, nas costas, provavelmente uma coronhada. Logo em seguida, recebeu mais dois golpes. "Fiquei com o olho roxo, um dente trincado, corte no supercílio e no lábio e corte com galo na cabeça. Fiz uma tomografia no domingo, mas ainda é preciso passar por um neurologista, por causa da dormência no rosto, e fazer um exame de corpo de delito no IML."

Os assaltantes teriam permanecido cerca de 10 minutos no local. Eles fugiram nos mesmos veículos que chegaram, levando celulares, relógios de pulso, carteiras e joias.

Após o roubo, segundo uma vítima, o dono do bar teria conversado com os clientes e pedido desculpas pelo acontecido. Ontem, a gerente do local não quis se manifestar sobre o assunto. Ela afirmou que não estava trabalhando na hora do crime. O caso é investigado pelo 99° DP e pelo Departamento de Investigações sobre Crime Organizado (Deic).

Histórico. Pelo menos sete arrastões a restaurantes já ocorreram neste ano na capital paulista, o que representa um caso a cada 12 dias. O primeiro do ano foi no dia 2 de janeiro, no Bar Leporace, no Campo Belo, também na zona sul. No domingo, um restaurante japonês de Moema, na zona sul da capital, foi roubado. A quadrilha levou relógios, celulares e carteiras de cerca de 20 pessoas.

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