Bar mais antigo do Rio festeja seus 125 anos

Aberto no Império, Bar Luiz quase foi destruído durante 2ª Guerra. Acabou salvo por Ary Barroso

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

17 de janeiro de 2012 | 03h03

Com degustação e música ao vivo, o bar mais antigo do Rio festejou ontem seus 125 anos, completados no último dia 3. Situado na Rua da Carioca, no centro da cidade, o Bar Luiz abriu suas portas em janeiro de 1887, quando o Brasil ainda era um império sob as ordens de d. Pedro II.

Criado por Jacob Wendling, filho de suíços nascido em Petrópolis, na região serrana, o bar ficava na Rua da Assembleia, também no centro, e chamava Zum Schlauch (a mangueira, ou a serpentina, em alemão) - referência ao sistema usado para servir o chope.

No primeiro ano de vida, no entanto, a casa serviu apenas cerveja. Em 1888, a Brahma foi inaugurada e o bar passou então a oferecer o chope produzido pela cervejaria.

A bebida era servida bem gelada, mas clientes de paladar sensível podiam usar um esquentador, objeto de metal preenchido com água quente que era pendurado na parte interna do copo por uma alça.

A fama da casa se ampliou quando Adolf Rumjaneck, afilhado de Jacob, passou a trabalhar lá. Praticamente invencível na queda de braço, ele desafiava clientes que preferiam bebidas diferentes de chope: quem vencesse Adolf podia consumir qualquer drinque à vontade. Se o cliente perdesse, deveria provar o chope e pagar pela bebida.

Em 1901, o bar mudou de endereço (foi para um prédio vizinho na mesma rua) e de nome, passando a chamar Zum Alten Jacob (Ao Velho Jacob), uma homenagem ao fundador. Em 1908, Jacob se mudou para a Suíça e vendeu o bar Adolf.

Em 1915, uma lei proibiu letreiros em língua estrangeira e o Zum Alten Jacob virou Bar Adolph. O praticante de queda de braço morreu em 1926 e o estabelecimento passou então para seu sócio austríaco Ludwig Vöit. Em 1927, o bar mudou para o endereço atual - um prédio art déco pertencente à Venerável Ordem Terceira de São Francisco da Penitência. O primeiro contrato de aluguel foi firmado entre o grupo católico e a própria Brahma, que cedeu o imóvel ao bar.

Confusão. Durante a 2ª Guerra Mundial, estudantes do colégio Pedro II contrários à política de Adolf Hitler foram ao bar para destruí-lo, porque supunham que seu nome homenageasse o líder alemão. Mas o compositor Ary Barroso estava no bar e impediu a destruição ao explicar que não se tratava de homenagem a Hitler, mas sim referência ao antigo dono. Para evitar problemas, Ludwig decidiu mudar o nome do estabelecimento para Bar Luiz.

Em diversos concursos, o chope servido no bar foi considerado o melhor do Rio. Em 2005, o estabelecimento chegou a inaugurar um quiosque em Copacabana, na zona sul, mas atualmente funciona apenas no imóvel da Rua da Carioca.

O prédio foi tombado como patrimônio histórico pelo Estado do Rio em 1985. Uma das histórias contadas nas mesas é da fórmula usada pelo ex-dono Adolf para combater a ressaca - quando exagerava na bebida, ele passava horas inalando o ar de um ozonizador.

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