Bar da Vila Madalena fará ‘folia do balde’

Bar da Vila Madalena fará ‘folia do balde’

Já há quem planeje o transporte de água de um estabelecimento para outro, para garantir o atendimento até a próxima quarta-feira

Rafael Italiani, O Estado de S. Paulo

14 Fevereiro 2015 | 03h00

Com o agravamento da crise hídrica e o medo de faltar água durante o carnaval, os comerciantes da Vila Madalena se preparam para o feriado com viagens de baldes entre um bar e outro, instalação de caixas d’água maiores para armazenar água de caminhões-pipa e intensificação do uso de copos plásticos. Já os clientes começam a migrar para outros bairros.

A região sofre com a redução de pressão na rede desde o fim do primeiro semestre do ano passado. Segundo a Companhia de Saneamento Básico do Estado de São Paulo (Sabesp), o bairro pode ter o abastecimento prejudicado pela medida por até 17 horas. A vendedora Alexandra Teixeira dos Santos, de 34 anos, está começando a desistir da Vila Madalena. “Tenho ido mais aos bares do Itaim. Lá, o funcionamento está normal, tem água”, contou. 


Segundo ela, na Vila Madalena, tem sido comum encontrar privadas cheias de gelo para amenizar o cheiro ruim e torneiras secas. Ela também defende que, para voltar a frequentar o bairro, os bares deveriam diminuir o preço das bebidas, pois não há água no banheiro e os estabelecimentos servem as bebidas em copos plásticos. O designer gráfico Bruno Rovarotto, de 32 anos, também não gosta dos copos de plástico. “Como frequento sempre o mesmo bar e conheço os donos, peço os de vidro”, afirmou. Ele também conta que encontrou estabelecimentos sem água no banheiro nos últimos fins de semana. 

Adaptação. O setor tenta adaptar-se para não perder os clientes. O empresário Flavio Pires, dono dos bares Quitandinha e São Domingos, na Rua Fidalga, usará viagens de balde de água entre um comércio e outro. “Vou ter de fazer isso sempre a partir das 23 horas, quando já não tenho uma gota de água na caixa e a da rua também acaba”, disse. A cada meia hora, a faxineira do Quitandinha, bar com um reservatório de 1 mil litros, vai ter de ir buscar água no São Domingos, que tem uma caixa de 9 mil litros. “É o máximo de planejamento que posso fazer. Não tenho espaço para comprar caixas maiores e falta informação por parte das autoridades.” 

Já o empresário Pedro Costa, de 58 anos, pretende conseguir instalar as novas caixas d’ água nos bares Pira Grill e Pira Sanduba, na Rua Wisard, até hoje. Em um comércio, ele terá um reservatório de 12 mil litros e, no outro, uma caixa de 3 mil. “É o que eu preciso para conseguir comprar caminhões-pipa de 15 mil litros durante o carnaval. Tenho certeza de que vai faltar água. Se sobrar um pouco de água do caminhão, vou dar para os concorrentes”, disse. De acordo com Costa, a tendência na Vila Madalena é de que os comerciantes se ajudem na compra dos caminhões-pipa para ter “independência da água da Sabesp”. 

Para Percival Maricato, presidente da Associação Brasileira de Bares e Restaurantes de São Paulo (Abrasel-SP), o setor deve fazer reformas e investir em educação dos funcionários. “Nós achamos que vai haver uma dificuldade permanente com água. Ninguém quer ser independente da Sabesp, mas o setor tenta resolver um problema que pode persistir”, afirmou.

Os comerciantes esperavam que a Sabesp flexibilizasse o horário da redução da pressão para atender um número maior de clientes. O distrito de Pinheiros, que engloba a Vila Madalena, vai receber 67 blocos de rua até quarta-feira.

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