Rafael Arbex/Estadão
Rafael Arbex/Estadão

Bangalafumenga leva milhares de foliões ao bairro do Sumaré

Segundo organização do bloco carioca, mais de 50 mil pessoas participaram da folia; público espera agora Sargento Pimenta

Fabiana Cambricoli, O Estado de S. Paulo

07 Fevereiro 2015 | 13h20

Atualizado às 20h16

SÃO PAULO - Ao som dos tradicionais batuqueiros e de sucessos da música brasileira, o bloco Bangalafumenga iniciou seu desfile no bairro do Sumaré, na zona oeste da capital paulista, por volta das 12h20 deste sábado, 7, já atraindo milhares de foliões à Avenida Paulo VI.

Fundado no Rio em 1998, é a quarta vez que o grupo se apresenta no carnaval de São Paulo. A expectativa dos organizadores no início da festa era de atrair 100 mil pessoas até o final do dia, público semelhante ao da capital fluminense. No ano passado, o Banga, como é conhecido, levou 80 mil às ruas de São Paulo. O número inclui os foliões que foram assistir o bloco Sargento Pimenta, que se apresenta na sequência, no mesmo espaço. 

Logo no início da apresentação, a animação da bateria e dos foliões fizeram com que todos sentissem o chão do Viaduto Sumaré literalmente tremer muito. Alguns chegaram a ficar apreensivos se a estrutura aguentaria a passagem do trio. Os músicos do Banga, então, preferiram escolher um repertório mais leve, com músicas com menos batidas, até passarem o trecho do viaduto, e voltaram com canções "mais fortes" quando o trio chegou à avenida Paulo VI.

Com a previsão de crescimento do bloco, os organizadores dobraram o número de banheiros químicos neste ano (120) e contrataram uma cooperativa de catadores para recolher material reciclável.

Fundador e vocalista do bloco, Rodrigo Maranhão diz que a animação dos paulistanos não perde em nada para a dos cariocas. "Temos diferenças culturais, mas quando o couro come na avenida, a empolgação e a alegria são as mesmas", diz.

A fama do bloco atraiu até quem não entende muito de carnaval. Os estudantes alemães Michael Schmidt, de 21 anos, e Maxi Willinger, de 25, vieram ao Brasil para visitar amigos em São Paulo e conhecer o carnaval carioca, mas decidiram conferir o Banga por indicação de um colega brasileiro. "Não sabemos nenhum passo de samba, mas achamos que aqui seria um bom lugar pra nos divertimos e conhecer gente nova", diz Schmidt.

Nem a chegada do nono mês de gravidez fez a arquiteta Andreia Takahashi, de 33 anos, desistir de tocar na bateria do bloco Bangalafumenga.  Integrante do grupo há três anos, ela ficou duas horas debaixo de um forte sol para se apresentar com o bloco. "Meu obstetra disse pra eu pegar leve para o bebê não nascer no meio da avenida. Mas deu tudo certo. O Banga é uma terapia para mim", diz ela, que toca tamborim.

No bloco Sargento Pimenta, que estreou em 2011 no Rio e desfilou pela terceira vez em São Paulo, fãs de Beatles se misturavam a foliões que só queriam curtir o Carnaval de maneira diferente. 

Colada ao cordão de isolamento do bloco, a funcionária pública e beatlemaniaca Carla Menezes, de 47 anos, cantava todas as músicas do bloco. "Eu não gosto de Carnaval. Sempre fico em casa, vou ao cinema ou viajo para um lugar tranquilo nessa época, mas quando descobri que tinha esse bloco dos Beatles, me animei. Estou adorando", disse ela.

Já a publicitária Renata Ruby, de 23 anos, não é muito fã do grupo britânico, mas decidiu conhecer o bloco pela proposta diferente. "A gente se acostuma a ouvir só samba e axe nesse período, achei legal a ideia de diversificar, misturar o rock dos Beatles com os ritmos brasileiros."

Sargento Pimenta. Ao fim da folia oferecida pelo Bangalafumengas, por volta das 14h30, a organização acreditava ter reunido 50 mil no Sumaré. O restante do público ainda era aguardado para acompanhar o Sargento Pimenta, cujo início da apresentação atrasou porque o grupo enfrentou dificuldades para manobrar o enorme trio elétrico, de 23 metros. Às 16h, os organizadores ainda trabalhavam na operação, que exigiu a desmontagem de frente do caminhão. Apesar da demora, o público aguarda com tranquilidade o retorno da folia. 

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