Bando rouba e mata casal. Depois, põe fogo na casa

Empresário e engenheira teriam sido mortos a mando do sócio do homem; crime aconteceu em condomínio de alto padrão em Jandira

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

31 Março 2012 | 03h04

O empresário Nemias Domingos da Silva, de 68 anos, e a engenheira Dafne Filellini, de 55, foram mortos a facadas na noite de anteontem, na casa onde moravam, em um condomínio de classe média alta, em Jandira, Grande São Paulo. Os bandidos ainda atearam fogo à residência das vítimas. Segundo a polícia, o mentor do crime é o sócio de Silva em uma confecção, Samuel de Moraes Soares, de 28 anos, que está preso.

Soares teria criado um plano para se vingar do sócio por causa de um desentendimento e da vontade de Silva de romper a sociedade na confecção, que já durava um ano. Silva desconfiava que era roubado por Soares, e já tinha retirado uma Kombi usada na confecção. Pensava também em recolher suas máquinas.

Enraivecido, Soares instigou um amigo, Silas dos Santos Novaes, de 22 anos, a formar uma quadrilha para invadir a casa de Silva, segundo a polícia. Ele falou que o empresário tinha R$ 200 mil e duas armas guardadas.

Novaes, que também prestava serviços de entrega na confecção, chamou os amigos Agenil Jacinto de Freitas Neto, de 34 anos, Joel Antonio Vieira, de 32, e Wesley Freire de Sales, de 21, para participar do assalto.

Por volta das 18h30 de quinta-feira, Sales cortou a cerca elétrica, invadiu a casa e, no jardim, dominou a engenheira. Ele facilitou a entrada do restante do bando, que encontrou Silva deitado no sofá da sala. Eles perguntaram onde estavam escondidos os R$ 200 mil e as armas. O casal disse que não tinha dinheiro nem armas. Os ladrões não acreditaram e começaram a revirar a residência. Levaram cerca de três horas para descobrir que o empresário e a engenharia diziam a verdade.

Como esperavam encontrar armas na casa, não levaram sequer um revólver. Usaram duas facas de cozinha para matar Silva e Dafne. Ela foi a primeira a morrer, esfaqueada por Freitas Neto. Eles resolveram fugir, deixando para trás o empresário ainda com vida. No quintal, porém, decidiram que não seria interessante mantê-lo vivo. Como foi entregador na confecção, Novaes temia ser reconhecido. Os bandidos voltaram então para matá-lo. "Um detalhe é que eles também não sabiam como ligar o Mercedes de Silva, e perguntaram para ele como fazer isso (antes de matá-lo)", disse a delegada assistente de Jandira, Patrícia Barros, responsável pelo caso.

Novaes ficou incumbido de tirar a vida do empresário, mas disse que não sabia como fazer isso com uma faca. Freitas Neto decidiu ensiná-lo e apunhalou Silva no peito várias vezes. Depois, cortou seu pescoço.

Incêndio. Antes de fugir, usaram a gasolina de um gerador para atear fogo à casa. Eles temiam deixar vestígios. Os corpos foram encontrados pela perícia, no quarto, carbonizados.

Durante uma ronda, a Guarda Civil de Jandira estranhou os bandidos transferindo produtos do Mercedes para a Fiorino de Novaes em uma viela no Jardim Gabriela 2. Na abordagem, os bandidos delataram uns aos outros e confessaram o crime. Silvania Araújo de Souza, de 43 anos, mãe adotiva de Sales e mulher de Vieira, estava no local e também foi presa. Ela também seria conhecida das vítimas. Na delegacia, todos disseram que Soares foi o mentor do crime.

A polícia chamou o suposto mandante dos assassinatos. Soares confirmou que havia comentado sobre os bens de Silva e disse que Novaes teria demonstrado interesse em invadir a casa. Ele nega envolvimento no caso. Todos foram autuados por latrocínio (roubo seguido de morte), formação de quadrilha e por provocar incêndio. Mais tarde, foi encontrado outro carro do casal, um Citröen, também usado na fuga.

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