Bando que assaltou fábrica conhecia detalhes do local

Assaltantes evitaram levar as iscas eletrônicas, equipamentos com rastreadores que permitem localização em caso de roubo

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

07 Julho 2014 | 19h17

Atualizado às 11h15 do dia 8/7/2014

CAMPINAS - O bando que assaltou a empresa Samsung, em Campinas, e fez cerca de 50 funcionários reféns na madrugada desta segunda-feira, 7, evitou as chamadas iscas eletrônicas - equipamentos com rastreadores, dispostos estrategicamente no estoque, justamente para permitir a localização em caso de roubo. Isso revela que os bandidos conheciam a empresa e planejaram o roubo em detalhes, segundo o delegado da Polícia Civil Carlos Henrique Fernandes, titular da Delegacia de Investigações Gerais (DIG). 

De acordo com Fernandes, entre oito e dez homens fizeram reféns pelo menos 100 dos 200 funcionários que estavam na empresa. A Samsung não confirma o número e diz que aproximadamente 50 colaboradores da empresa foram rendidos. Eles foram ameaçados e obrigados a ajudar no carregamento dos sete caminhões usados no roubo. Foram levados 40 mil itens, sobretudo celulares e tablets de última geração, avaliados em R$ 80 milhões, segundo ele. Já de acordo com a Samsung, a carga estava avaliada em R$ 14 milhões.

Evitando dar detalhes da investigação, o delegado contou que eles renderam uma van que transporta funcionários e, na portaria, dominaram a equipe de segurança e tomaram as armas. O resto do bando entrou em outros veículos, inclusive alguns caminhões. Usando os crachás dos funcionários, seguiram para os setores de expedição e foram rendendo quem era encontrado. Os reféns eram mantidos sob a mira de armas - revólveres, pistolas e algumas armas longas, segundo ele. “Eles certamente tinham fuzis, mas essas armas não foram vistas pelos reféns. Lá dentro eles se separaram e começaram a escolher o que seria levado”, relatou o delegado.

Para ele, a quadrilha é especializada nesse tipo de ação e escolheu a Samsung por fabricar produtos de pequeno volume a alto valor agregado. “Com certeza, eles têm um esquema para a receptação desses produtos, possivelmente na informalidade, e esperamos chegar logo a eles.”

Funcionários. O delegado não descartou a possível participação de funcionários passando informações privilegiadas aos bandidos. “Isso também está sendo investigado e vamos nos debruçar sobre todas as imagens disponíveis.” Ele adiantou que as câmeras captaram alguns dos assaltantes em ação. As imagens serão processadas e melhoradas para uma possível identificação. 

De acordo com o policial, a Samsung já foi vítima de um roubo em um galpão do Aeroporto de Viracopos, também em Campinas, mas essa investigação foi feita pela Polícia Federal por se tratar de área de segurança federal. Ele tem conhecimento de que alguns suspeitos foram investigados e houve até ordem de prisão. “Entraremos em contato para ver se há alguma relação entre os dois casos.” 

A imprensa não teve acesso aos depoimentos das vítimas e testemunhas. Segundo o delegado, detalhes revelados nos depoimentos devem ser mantidos em sigilo para não prejudicar as investigações. “As pessoas também têm receio de serem expostas, pois foram ameaçadas e até aterrorizadas pelos criminosos. O que posso dizer é que vamos chegar a esse bando.” À noite, equipes da DIG saíram em diligência para averiguar uma denúncia. 

Mais conteúdo sobre:
assalto Samsung

Encontrou algum erro? Entre em contato

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.