Bando leva caminhões para roubar empresa

Eletrônicos são alvo de quadrilha que assaltou transportadora em Cajamar

Suzane G. Frutuoso, O Estado de S.Paulo

12 de outubro de 2010 | 00h00

Uma quadrilha formada por 30 homens equipados com fuzis e armas de grosso calibre invadiu na noite de domingo a Atual Transportes, em Cajamar, na Grande São Paulo, com uma frota própria composta por duas carretas, dois caminhões, quatro Veículos Urbanos de Carga (VUCs) e uma empilhadeira. Eles cercaram o prédio da empresa e fizeram cinco funcionários reféns, aproveitando a troca de turno dos porteiros, às 19 horas.

"Meu filho está em estado de choque. Disse que só pensava em sair vivo para reencontrar a mulher e as filhas", afirmou a mãe de um dos funcionários rendidos.

A ação dos bandidos é uma categoria de crime cada vez mais comum nos fins de semana. Segundo especialistas, transportadoras costumam ser alvos nesses dias da semana pelo pouco movimento de funcionários.

Os criminosos levaram TVs, DVDs, equipamentos de GPS e liquidificadores. Parte da carga armazenada na Atual pertencia ao Hipermercado Makro e ao Magazine Eletrozema, em Minas Gerais. O prejuízo foi calculado inicialmente em R$ 500 mil, mas funcionários disseram que deve chegar a R$ 3 milhões. Ninguém foi preso.

Ação. O primeiro funcionário rendido foi o porteiro que estava prestes a terminar o turno. Na sequência, o porteiro noturno também ficou na mira de fuzis e foi obrigado a fingir que trabalhava normalmente para outros funcionários serem rendidos: dois motoristas e um segurança. Os criminosos não usavam capuz e orientavam os reféns a permanecer de cabeça baixa, enquanto ficavam sentados em uma das salas da parte administrativa da empresa. Eles eram ameaçados de morte caso não colaborassem, sempre com fuzis apontados para a cabeça.

"Os bandidos diziam que homens do bando estavam nas nossas casas e matariam nossas famílias. Porém, nunca levantaram a voz. Eram educados", contou um funcionário feito refém, que pediu para não ser identificado. Eles não sofreram ferimentos.

No fim do assalto, amarraram os cinco funcionários com fitas adesivas e os prenderam no baú de um dos VUCs da empresa.

"Avisaram que era para esperar duas horas antes de pedirmos socorro. Mas um colega estava passando mal, com falta de ar. Conseguimos nos soltar queimando as fitas com um isqueiro e um colega arrebentou a porta com um chute 40 minutos depois de nos colocarem lá", diz o refém.

Os computadores que continham as imagens das câmeras do circuito interno também foram levados.

Digitais. Durante as seis horas da ação, os assaltantes beberam cinco garrafas de uísque encontradas na sala do dono da empresa. A polícia vai usá-las para tentar identificar impressões digitais dos ladrões.

Falha. Para o criminólogo Guaracy Mingardi, integrante do Fórum Brasileiro de Segurança, é um erro manter dentro da empresa as imagens do sistema de vigilância. "Uma falha grave de segurança", avaliou.

Esse seria um indício de envolvimento de funcionários ou ex-funcionários no crime. "Alguém que conhecia bem o funcionamento do local pode ter participado."

O dono da Atual Transportes, Manuel Sá, não conversou com a reportagem alegando abalo emocional. / COLABOROU MARCELA SPINOSA

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