Bando invade loja na Marginal e põe fim à passeata

Mascarados lançaram pedras e morteiros contra a PM, que revidou com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo

Laura Maia, Fabio Leite, Bruno Ribeiro e Mateus Fagundes, O Estado de S.Paulo

16 de outubro de 2013 | 02h06

A passeata de estudantes e funcionários da Universidade de São Paulo (USP) chegou ao fim às 19h30 dessa terça-feira, 15, na Marginal do Pinheiros, quando policiais militares e black blocs protagonizaram mais um confronto violento na capital paulista. Parte dos 300 manifestantes, que saíram do Largo da Batata às 18h e seguiam para o Palácio dos Bandeirantes, invadiu a loja de móveis Tok&Stok.

A PM fez um bloqueio na altura da Ponte Eusébio Mattoso. Mascarados lançaram pedras e morteiros contra os policiais, que revidaram com bombas de efeito moral e gás lacrimogêneo. Na confusão, 56 manifestantes foram detidos e encaminhados para o 14.º Distrito Policial (Pinheiros) para averiguação. Segundo a PM, 8 policiais ficaram feridos. De acordo com o Diretório Central dos Estudantes (DCE) da USP, 15 manifestantes se feriram.

Pedro Serrano, diretor do DCE, disse que a passeata foi encurralada pela PM. "Tudo que a gente queria era chegar ao Palácio", disse. No conflito, parte do grupo se espalhou pelas pistas, que ficaram totalmente fechadas, e outra invadiu a loja para se refugiar. Não houve depredação. Os manifestantes se espalharam pelo estacionamento e o usaram como rota de fuga para a Avenida Vital Brasil.

Vizinhos da loja levaram um susto. A zootecnista Silvânia Neves, de 55 anos, foi surpreendida com uma bomba em sua casa, na Rua Pero Leão. "Estava ouvindo o barulho sem saber o que era, lá no segundo andar. Quando cheguei ao primeiro andar, vi a sala cheia de fumaça", disse ela, que usa vinagre para aliviar o ardor nos olhos.

Desentendimento. Uma das diretoras da União Estadual dos Estudantes de São Paulo (UEE-SP), que preferiu não se identificar, afirmou que o ato era pacífico, mas que a presença dos mascarados dispersou o protesto e tirou sua força.

O primeiro foco de conflito ocorreu durante a depredação de uma concessionária, em Pinheiros. O trajeto foi escolhido a fim de neutralizar a ação dos baderneiros. Mas no final, na Vital Brasil, quatro agências acabaram depredadas e a Estação Butantã, pichada. Um ônibus também foi depredado.

Ao deixar o 14.º DP, às 23h30, o publicitário Alexandre Morgado, de 30 anos, reclamou da arbitrariedade da PM. "Fui levado detido enquanto prestava socorro, e fui levado sem motivo."

Até as 23h30, não havia sido registrado nenhum flagrante. Segundo a defesa dos detidos, eles poderiam responder por dano e lesão corporal, e não por organização criminosa, como prometeu o governo na semana passada.

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