Bando invade delegacia no Rio de Janeiro e resgata detido

Criminoso havia sido preso horas antes, após se envolver em acidente de trânsito

FÁBIO GRELLET / RIO, O Estado de S.Paulo

04 Julho 2012 | 03h08

Cerca de 15 criminosos armados com fuzis e metralhadoras invadiram uma delegacia na zona norte do Rio de Janeiro na tarde da última terça-feira, 3, e resgataram um criminoso que havia sido detido horas antes.

Fora da delegacia, houve tiroteio entre o grupo e dois policiais. Um deles se feriu sem gravidade. Segundo o delegado, os agentes não reagiram com medo de "um banho de sangue" dentro da delegacia. Até a noite de terça o bandido não havia sido recapturado.

Prisão. Por volta das 11h30, um motociclista se envolveu em um acidente na Rua Leopoldo Bulhões, em Manguinhos, também na zona norte do Rio. Ao socorrê-lo, policiais constataram que ele dirigia uma moto furtada e transportava duas granadas.

O rapaz, então identificado como Luan de Souza, foi levado ao Hospital Geral de Bonsucesso, onde recebeu atendimento médico por causa de escoriações. Em seguida, foi conduzido à 25.ª DP, no Engenho Novo. 

Resgate. Ao autuar o rapaz na delegacia, os policiais civis descobriram que seu RG era falso. Enquanto o caso era registrado, por volta das 14h, os bandidos chegaram em dois carros e duas motos, vestindo roupas pretas. Eles invadiram a delegacia, dispararam vários tiros e fugiram levando o homem.

O criminoso foi identificado como Diogo Feitoza, conhecido pelo apelido de DG e suposto gerente do tráfico na favela do Mandela, na região de Manguinhos. 

"Foi tudo muito rápido, a ação não durou mais do que três minutos. Os criminosos estavam fortemente armados e entregaram um fuzil ao preso que foi resgatado", disse o delegado titular da 25.ª DP, Antenor Lopes Martins Junior. "Uma parte do grupo entrou (na delegacia) e um dos criminosos usou um alicate de pressão para abrir o cadeado da carceragem", contou o delegado.

Feitoza era o único preso na cela. Ele estava prestes a ser transferido para a carceragem da Polinter, segundo Lopes.

"Infelizmente fomos atacados de surpresa e não pudemos reagir, embora até tivéssemos condição, porque a delegacia tinha muitos policiais", afirmou o delegado. "Mas seria um banho de sangue e com certeza inocentes perderiam a vida. Nossos policiais optaram por não reagir". O agente ferido chegou a ser levado ao Hospital Municipal Salgado Filho, mas passa bem.

Policiais civis da Coordenadoria de Recursos Especiais (Core) foram acionados para recapturar Feitoza, usando carro blindado e helicópteros, mas ele não havia sido encontrado. Segundo o delegado, "quase todos" os criminosos que participaram da ação já foram identificados.

O secretário estadual de Segurança, José Mariano Beltrame, lamentou o episódio e afirmou que "não tem como dizer que essa situação não é ruim". "É ruim, sim", resumiu.

Encontrou algum erro? Entre em contato

publicidade

publicidade

publicidade

O Estadão deixou de dar suporte ao Internet Explorer 9 ou anterior. Clique aqui e saiba mais.