Bando faz 30 vigias reféns na USP Leste

Quadrilha levou vigilantes amarrados para auditório e estourou 2 caixas eletrônicos; câmpus não tem câmeras nem patrulha da PM

BÁRBARA FERREIRA SANTOS, LUCIANO BOTTINI FILHO, O Estado de S.Paulo

23 Maio 2013 | 02h06

Um grupo de mais de dez homens armados dominou 30 vigias e guardas universitários da Escola de Artes, Ciências e Humanidades (EACH) da Universidade de São Paulo, mais conhecida como USP Leste, para roubar dois caixas eletrônicos na madrugada de ontem. "Vamos lá para o auditório fazer uma reunião", disse um dos bandidos aos funcionários, antes de imobilizar suas mãos com fitas adesivas. Os seguranças ficaram deitados no chão da sala de eventos do câmpus por duas horas.

Não havia câmeras de segurança no local do crime. O câmpus fica em Ermelino Matarazzo, ao lado do Parque Ecológico do Tietê, às margens da Rodovia Ayrton Senna, e não tem patrulha da Polícia Militar. Segundo a Assessoria de Imprensa da EACH, a segurança interna não usa armas de fogo.

A polícia ainda apura a quantia total roubada, que pode chegar a R$ 200 mil. As vítimas - 20 homens e dez mulheres - entregaram aos bandidos oito celulares e peças de roupas, principalmente jaquetas da empresa de vigilância. "Não sabemos o que eles vão fazer com isso", disse uma vigia de 40 anos mantida como refém.

Ela contou que foi surpreendia pelos criminosos em seu posto, perto da agência do Banco do Brasil. Lá estavam os dois caixas eletrônicos, que foram abertos com um maçarico - um do mesmo banco e outro do Santander.

De acordo com a polícia, a quadrilha entrou na universidade e dominou a equipe de segurança em vários pontos dos 258 mil m² do câmpus, das portarias até os caixas. Segundo depoimento de uma das vítimas, o bando deu sinais de que já conhecia a área.

Dois dias antes, agentes universitários haviam percebido três veículos suspeitos no câmpus: um Fit cinza, um Uno branco e um Gol preto. As placas foram anotadas, mas o registro foi levado pelos bandidos. A polícia agora tentará identificar os carros pelos depoimentos dos funcionários.

Segundo a assessoria da universidade, a abordagem inicial envolveu uma equipe da base da Guarda Universitária. Em seguida, atacaram vigias que estavam em três outros postos, entre eles um localizado na interligação da Estação USP Leste da CPTM com o câmpus.

Segurança. O delegado do 62.º Distrito Policial (Ermelino Matarazzo), Leandro Rigobello, que investiga o caso e trabalha há dez anos na região, disse já ter avisado a Reitoria sobre a necessidade de instalar câmeras na área dos bancos, depois de uma ocorrência semelhante há quatro anos. "Não sei por que eles não fizeram isso, disseram que era para proteger a privacidade dos universitários", afirmou Rigobello. Segundo ele, a região não registra muitas ocorrências.

Procurada pela reportagem, a direção da USP Leste não se manifestou sobre a falta de câmeras nos caixas. A instituição informou, porém, que há câmeras espalhadas em outras partes do câmpus. O Estado apurou que a administração da EACH não tem a intenção de modificar o esquema de segurança da unidade. / COLABOROU PAULO SALDAÑA

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