Bando explode muro e tenta roubar transportadora de valores

Assaltantes explodiram uma parede, mas placa de ferro impediu que conseguissem chegar aos cofres

Andressa Zanandrea, do Jornal da Tarde,

11 de março de 2008 | 02h44

Uma quadrilha fortemente armada tentou invadir e roubar a transportadora de valores RRJ, na Barra Funda, Zona Oeste, no final da noite de segunda-feira, 10. Bandidos explodiram uma parede lateral da empresa com dinamite, mas não conseguiram entrar, pois, atrás do concreto, havia uma chapa de metal. Após a explosão, que deixou várias janelas de um prédio vizinho quebradas, cerca de 20 homens encapuzados fugiram, atirando, em cinco carros e três motos. Ninguém foi preso.   Um morador de uma pensão que fica ao lado da transportadora de valores, no número 111 da Rua Camarajibe, contou que três homens entraram, por volta das 23 horas, pelo portão e perguntaram onde ficavam os fundos. Como não desconfiou que fossem bandidos, pois acreditou que estivessem à procura de alguém que morasse ali, indicou o local ao trio. Momentos depois, ouviu a explosão.   Logo após a detonação, seguranças da empresa e assaltantes trocaram tiros. Um dos bandidos teria ficado ferido e sido levado pelos comparsas, na carroceria de uma Strada preta. Ainda não se sabe se ele teria sido baleado ou ferido pela explosão. Além da Strada, outros quatro carros teriam sido usados pela quadrilha: um Astra preto, um Vectra cinza, um Santana e um Corolla branco, segundo testemunhas. No local do crime, ficaram espalhadas cápsulas de pistolas nove milímetros e 380, além de outras de espingarda calibre 12 e fuzil 762.   Além de marcas na fachada da transportadora, um Chrysler Neon verde, estacionado na Rua Lopes Chaves, localizada em frente à empresa, ficou com quatro buracos causados por balas, no pára-brisa, no vidro traseiro e no capô. O veículo - segundo o dono, que assistiu à cena de longe -, teria sido usado como escudo por três assaltantes, enquanto atiravam contra janelas e a entrada da RRJ. Um carro-forte foi atingido por um tiro.   Janelas quebradas   Com a explosão, foram quebradas várias janelas do Edifício Angatuba, localizado atrás da empresa, na Rua Mário de Andrade. A calçada do prédio de 16 andares ficou repleta de cacos de vidro. Básculas dos corredores até o nono andar e portas de apartamentos ficaram danificadas. Os mais atingidos foram os do lado direito, mais próximos ao local da explosão. Um cano de água no terceiro andar estourou.   Em um dos apartamentos, onde mora um casal de idosos, sobraram apenas os vidros da janela do quarto. Todos os outros se estilhaçaram. "Estávamos assistindo à televisão, quando vimos que os vidros haviam quebrado. Pensei: é o fim do mundo!", disse a aposentada Carmelina Tomasuto, de 86 anos, que mora com o marido há 42 anos no prédio. Além de inúmeros cacos de vidro pelo chão e em cima de móveis, portas de armários ficaram abertas e objetos caíram no chão. "Fomos limpar primeiro. Depois, quando ouvimos uma gritaria, pensamos em assalto", afirmou o aposentado Gesualdo Gattuzzo, de 88 anos.   Assustados, alguns vizinhos e funcionários da transportadora de valores passaram mal e tiveram de ser atendidos pelos bombeiros. Um rapaz que morava nos fundos da pensão, na casa vizinha ao local onde foi aberto o buraco, foi atingido pelo telhado de fibra, quebrado com a explosão. Ele foi levado ao hospital e medicado.   Moradores das ruas do entorno da RRJ dizem que a movimentação de carros-fortes é intensa durante todo o dia, inclusive na madrugada, principalmente nas ruas Camarajibe e Mário de Andrade. Eles reclamam do fato de a empresa funcionar ali, em uma área predominantemente residencial, e dizem que já esperavam que isso acontecesse um dia. "Quando ouvi o barulho e a movimentação da polícia e dos bombeiros, já imaginei que fosse assalto à transportadora", disse a balconista Railda Silva, de 20 anos.   Outros casos   Este é o terceiro caso de tentativa de assalto a transportadoras de valores no Estado neste ano. No começo de janeiro, 30 criminosos mantiveram dez reféns, entre os dias 1º e 3, para tentar assaltar a sede da Prosegur em São José dos Campos, no Vale do Paraíba. O plano dos bandidos era usar a loja de uma das vítimas, ao lado da empresa, para cavar um túnel e roubar a transportadora. O assalto não deu certo porque o túnel não teria chegado ao local planejado. Os bandidos fugiram antes da chegada da polícia.   No dia 14 de janeiro, cerca de 30 homens fortemente armados tentaram invadir a Protege em Santo André, no ABC Paulista. Com um guincho roubado, derrubaram o portão do imóvel, para ter acesso à área externa da empresa. Em seguida, usaram explosivos para abrir um buraco em uma das paredes. A quantidade de explosivos não foi suficiente e o assalto não deu certo. Houve reação dos seguranças, mas ninguém foi preso.

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