Bando explode 4 caixas e fecha rua com ônibus em SP

Homens armados atacaram terminais eletrônicos na zona oeste; casos cresceram após roubo de carga de caminhão com explosivos

WILLIAM CARDOSO, O Estado de S.Paulo

14 Março 2012 | 03h05

Uma quadrilha armada com fuzis explodiu quatro caixas eletrônicos de uma agência do Itaú, ontem, na Rua Domingos Rosolia, no Jardim Arpoador, zona oeste de São Paulo. Depois da ação, os bandidos fecharam a via com um ônibus de transporte público, para impedir a aproximação dos policiais. Segundo a polícia, já são cerca de dez ataques só na capital desde que parte da carga de um caminhão com 13,8 toneladas de explosivos foi roubada, no fim de fevereiro.

Quatro explosões acordaram os moradores, por volta das 2h45, e deram início a um tiroteio. "Moro a 200 metros da agência e acordei após minha cama tremer com o estrondo", disse a dona de casa Valéria Rocha, de 44 anos.

Os ladrões - pelo menos oito homens - estavam encapuzados. Dois deles, apontando armas, dominaram o motorista, o cobrador e um manobrista que passavam pelo local em um ônibus da viação Transpass, que fazia a linha 7903 (Praça Ramos - João XXIII). Não havia passageiros. Eles obrigaram o manobrista e o cobrador a deitar no assoalho e exigiram que o motorista atravessasse o veículo na rua.

Outro homem que passava pelo local em um Gol foi obrigado a descer do carro e a encostar em um muro. "Tampa os ouvidos que vamos explodir uns caixas", foi o que ouviu de um dos ladrões. Dos seis caixas atacados, quatro tiveram os cofres rompidos pelas explosões.

Com a chegada da polícia, houve troca de tiros. Os funcionários da empresa de ônibus se esconderam atrás das rodas do veículo. Uma viatura foi atingida no Giroflex e no para-brisa. "Parecia a Faixa de Gaza. Depois disso, ninguém mais dormiu", disse o comerciário Erasmo Rodrigues Garcia, de 47 anos, que mora próximo do local.

Vizinha da agência, a comerciante aposentada Zaida Rodrigues Fernandes, de 80 anos, disse nunca ter ouvido barulho igual. "Depois das explosões, eles gritavam 'atira, atira'. Fiquei na cozinha, desesperada."

Os bandidos fugiram pelas vielas de uma favela próxima de uma agência, na direção de um conjunto habitacional. Parte do dinheiro que estava nos caixas ficou dentro da agência. O banco não informou quanto foi levado pelos criminosos. A polícia já recebeu imagens do circuito de vigilância, para buscar pistas.

Caminhão. No dia 29 de fevereiro, um caminhão carregado de explosivos vindo de Piquete, no Vale do Paraíba, foi roubado quando cruzava a capital. Pelo menos 500 kg de explosivo plástico e 5 mil metros de cordel detonante foram levados. Titular da 5.ª Delegacia de Crimes Contra o Patrimônio (Roubo a Banco), Celso Valdir Marchiori notou o aumento no número de casos após o sumiço da carga.

Já foi traçado também um perfil das quadrilhas que têm atuado na capital. Aparentemente, são três bandos. Um deles usa maçarico e os demais, explosivos. No ano passado, 48 pessoas foram detidas acusadas de assaltar os caixas. Descobriu-se também que PMs participavam diretamente ou davam cobertura. A suspeita da polícia é de que os grupos tenham se reorganizado.

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