Tasso Marcelo/AE
Tasso Marcelo/AE

Bando exige R$ 2 milhões para liberar obra no Rio

Polícia investiga extorsões e ameaças a funcionários que constroem ponte estaiada na cidade, no Complexo da Maré, zona norte

Pedro Dantas, de O Estado de S. Paulo,

22 de outubro de 2011 | 03h01

A Polícia Civil do Rio investiga uma tentativa de extorsão dos traficantes do Complexo da Maré, na zona norte da cidade, contra funcionários da construtora Queiroz Galvão, que trabalham na construção da primeira ponte estaiada do Estado. De acordo com o registro na 21.ª Delegacia de Polícia de Bonsucesso, no dia 19, dois funcionários da empresa procuraram o distrito, após sofrer durante dias ameaças dos bandidos.

Eles entregaram aos agentes uma carta da Associação de Moradores da Vila do João que pedia a doação de 20 motos elétricas para uma festa de Dia da Criança. Em outra versão investigada pelo Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope), os criminosos exigiram R$ 2 milhões para permitir as obras e atiraram contra os operários que constroem a ponte sobre o conjunto de favelas.

O presidente da Associação de Moradores da Vila do João, Marcos Antônio Barcelos, disse que tudo foi um mal entendido. "Havia um pedido no papel timbrado da associação para a doação para o Dia da Criança. Nove representantes de outras associações assinaram. Não sei quem entregou, mas nunca pedimos dinheiro, mas brinquedos. Essa história de R$ 2 milhões nem ficamos sabendo."

A suposta tentativa de extorsão teria ocorrido no dia 10 e, depois disso, os funcionários da obra passaram a sofrer ameaças. No dia 14, o Bope intensificou as incursões no Complexo da Maré, especialmente nas Favelas Nova Holanda, Parque União, Rubem Vaz e Parque Maré, que estavam sob o domínio do Comando Vermelho. Desde o início das operações, dois homens foram presos e foram apreendidas duas pistolas, munições e drogas.

Bope. Os moradores da Maré sofrem com os constantes tiroteios entre quadrilhas rivais e também com as incursões policiais. Eles afirmaram que os traficantes foram embora desde o primeiro dia de operação do Bope, que jogou panfletos de um helicóptero sobre as favela anunciando a "pacificação" do Complexo da Maré. "A notícia era falsa, mas mandou embora os poucos traficantes que ainda estavam por aqui. No entanto, os moradores continuam sofrendo revistas abusivas e as casas são constantemente invadidas pela polícia", reclama uma moradora da Nova Holanda, que prefere não ser identificada.

Milícia. Segundo essa moradora, os moradores temem que uma milícia (grupo paramilitar que normalmente cobra por proteção e serviços) seja instalada na região. A Secretaria de Segurança Pública do Rio informou que as operações nas favelas são pontuais e não têm relação com a ocorrência envolvendo a construtora. A futura sede do Bope ficará na antiga sede do 24.º Batalhão de Infantaria Blindada, que fica próxima da Vila do João, uma das favelas da Maré.

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