Bando escolhia vítimas durante caminhadas

Três foram presos suspeitos de praticar pelo menos 50 sequestros relâmpagos na região do Brooklin, zona sul, desde o mês passado

CAMILLA HADDAD, JORNAL DA TARDE, O Estado de S.Paulo

25 de janeiro de 2012 | 03h03

Três homens foram presos no começo da manhã de ontem no Brooklin, zona sul da capital paulista, acusados de praticar sequestros relâmpagos de moradores da região desde o mês passado. Segundo a Polícia Militar, as vítimas era atacadas pelos criminosos enquanto faziam caminhadas de manhã ou estavam de carro, paradas em semáforos.

A prisão do trio foi por volta das 6h40, e ocorreu após uma perseguição policial de 10 minutos pelas ruas do bairro. Ninguém ficou ferido. Os nomes dos três homens presos não foram divulgados pela polícia.

O soldado Mario Luz da Silva, do 12.º Batalhão da Polícia Militar (Campo Belo), conta que desconfiou de três pessoas que estavam em um Corsa preto com os vidros escuros, na Rua Pensilvânia. Quando o policial deu ordem de parada, o carro acelerou e houve uma perseguição que passou por ruas como Califórnia, Castilho e Ribeiro do Vale. A ocorrência só terminou na Avenida Santo Amaro, quando o carro parou.

Histórico. Segundo o soldado Silva, desde dezembro, pelo menos 50 vítimas de sequestro relâmpago procuraram a polícia para contar que haviam sido atacadas na região do Brooklin. Muitas pessoas diziam que o carro que as abordava era o Corsa preto, com vidros escuros e geralmente com três suspeitos.

"Nós já estávamos procurando esse carro", conta Silva. "O veículo era roubado, mas tinha uma placa sem problemas e que provavelmente foi trocada", explica o soldado da PM. No Corsa, a polícia também recolheu um revólver calibre 32.

Vítima. No último dia 12, um homem de 41 anos foi abordado por homens em um Corsa preto quando passava pela Rua Arizona com seu Fiat Siena. Ele estava a caminho do trabalho. Na delegacia, ele contou que ao tentar explicar para os ladrões que era um eletricista, passou a ser agredido pelos criminosos, que disseram não acreditar que sua profissão era verdadeira.

Em seguida, a vítima foi obrigada, sem poder olhar para o rosto dos suspeitos, a entregar seus cartões bancários para que a quadrilha fizesse saques em caixas eletrônicos. Alguns saques não puderam ser realizados por problemas no cartão e o eletricista chegou a ser ameaçado de morte pelo bando.

O drama só acabou quando os assaltantes desistiram de tentar tirar dinheiro do eletricista. Eles o libertaram na mesma região e disseram que ele iria morrer se olhasse para trás. O caso foi registrado no 96.º Distrito Policial (Monções), que cobre a área do Brooklin.

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