Bando cerca filho de Alckmin; houve tiros e gritos de 'mata!'

Thomaz estava com a filha de 9 anos quando foi abordado, na noite de domingo, no Morumbi; escolta reagiu

Laura Maia de Castro, Diego Zanchetta, Luciano Bottini Filho e Pedro Venceslau, O Estado de S.Paulo

04 Fevereiro 2014 | 11h49

O filho e a neta do governador de São Paulo, Geraldo Alckmin (PSDB), ficaram no fogo cruzado entre a escolta e um grupo de quatro homens armados que os abordaram no Morumbi, zona sul, no domingo, 2. Thomaz, de 30 anos, dirigia um Hyundai I30 e levava a filha de 9 anos para a casa da mãe, às 21h20, quando o motorista de um Nissan Tiida, que seguia à frente, fez uma manobra e fechou a passagem. A ação do crime organizado não é descartada.

A abordagem aconteceu em uma alça de acesso da Marginal do Pinheiros. Ao sair do Nissan, os bandidos teriam gritado "Mata!" duas vezes. Rapidamente, os seguranças, que estavam em um veículo mais atrás, reagiram. Thomaz chegou a sair do carro no confronto.

Segundo a polícia, os seguranças se posicionaram de forma a garantir que pai e filha saíssem ilesos. Policiais acreditam que ao menos um dos bandidos tenha sido ferido: o carro foi encontrado 400 metros depois, com manchas de sangue.

O caso reforçou o clima de tensão permanente entre a Casa Militar e assessores de Alckmin. O carro pertencia à mulher de Thomaz e não era blindado. Os militares pressionam para que o governador e a família aceitem reforço da segurança. Em várias ocasiões, porém, o filho pediu dispensa da escolta.

Motivação. O caso foi registrado inicialmente na 6.ª Delegacia da Divisão de Investigações sobre Crimes Contra o Patrimônio (Deic), que cuida de facções criminosas. De acordo com o secretário da Segurança Pública, Fernando Grella Vieira, foi opção da Casa Militar, que faz a segurança do governador. "Não temos elementos sobre motivação. Só com a identificação dos agressores e a prisão nós poderemos saber do que se trata."

O que reforça a tese de ação do Primeiro Comando da Capital (PCC), que ameaça o governador por causa da rigidez contra seus líderes, é o relato da escolta. De acordo com os seguranças, houve gritos de "Mata!" e o uso de armamento pesado - não foi divulgado, porém, o calibre das armas usadas na ação.

Apesar de não descartar essa possibilidade, a Secretaria da Segurança admite ser mais provável que se trate de tentativa frustrada de roubo. "As seis delegacias do patrimônio estão colaborando", ressaltou Grella.

O bando, segundo as investigações, estaria à procura de veículos com o mesmo padrão do que Alckmin dirigia. O automóvel usado pelos suspeitos havia sido roubado na sexta-feira, na mesma região, em circunstâncias semelhantes. Tanto o Tiida quanto o I30 são hatchs. Quando os criminosos assaltaram o dono do Tiida, estariam em um Renault Sandero, outro veículo com características parecidas. A polícia suspeita de que se trata de uma quadrilha de desmanche de carros.

A base da PM mais próxima fica no 2.971 da Avenida Francisco Morato, a cerca de 4 km, mas a PM informou que monitora a região. O número de roubos de veículos no bairro do Morumbi, porém, aumentou quase 20% em 2013, em relação a 2012: foram 518 veículos levados no ano passado, ante 418 em 2012. Roubos em geral também aumentaram. Foram notificados 1.799 em 2013, ante 1.567 em 2012 - aumento de 14%.

Outras vezes. Em 2002, dois PMs que faziam a segurança do filho do governador foram baleados em um roubo na Vila Mariana, zona sul. Um policial morreu. Em 2004, Thomaz ainda teve a moto roubada na Marginal do Pinheiros.

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