Bando ataca prédio histórico na Paulista

Polícia chegou a pensar que se tratava de arrastão, mas alvo era família de orientais que mora no Pauliceia; seis ladrões foram presos

BRUNO PAES MANSO , O Estado de S.Paulo

18 de agosto de 2012 | 03h03

Seis criminosos foram presos na tarde de ontem, durante um assalto ao Edifício Pauliceia, na Avenida Paulista, região central de São Paulo. A polícia chegou a pensar que se tratava de um arrastão no condomínio, mas depois da prisão ficou claro que o alvo era uma família de comerciantes orientais. A ação foi toda planejada, a ponto de o carro da vítima ter sido clonado.

Por volta das 16 horas, assaltantes chegaram em um Honda Civic semelhante ao de um dos moradores do prédio e com placas copiadas. A garagem do edifício foi aberta e os bandidos conseguiram dominar o porteiro. Na sequência, um dos criminosos ficou a postos na guarita, enquanto outros três davam cobertura em um carro e mais três subiam até o 18.º andar e invadiam dois apartamentos.

O trio de ladrões responsável pela abordagem principal se confundiu e invadiu primeiro o apartamento errado. No seguinte, alvo da quadrilha, bandidos dominaram rapidamente duas mulheres - uma idosa e uma babá -, que estavam no local com uma criança de 3 anos. Uma das mulheres foi amarrada, enquanto os bandidos recolhiam R$ 400 mil em dinheiro, além de relógios e joias.

Cerca de 15 minutos depois da invasão do condomínio, a polícia foi acionada por moradores. Ao notar o problema na guarita, outro funcionário também ligou para o 190. A Polícia Militar fechou todo o entorno do prédio, incluindo as entradas pela Avenida Paulista e pela Rua São Carlos do Pinhal.

Inicialmente, os policiais prenderam os bandidos que davam cobertura na entrada do prédio e o que fazia as vezes de porteiro. Na sequência, detiveram dois criminosos que tentavam fugir pela São Carlos do Pinhal. Com eles, além das mercadorias, a polícia apreendeu dois revólveres e uma pistola 9 milímetros. Não houve disparos nem feridos.

"Os ladrões se aproveitam do fato de os orientais serem naturalmente mais desconfiados e guardarem dinheiro em casa. Por isso, eles acabam se tornando alvo", afirmou o delegado-geral, Marcos Carneiro Lima. Segundo ele, esse tipo de crime era comum no passado, quando os dekasseguis guardavam dinheiro vivo em casa depois de temporadas no Japão.

Garagem. De acordo com especialistas em segurança, a garagem normalmente é o ponto de segurança mais vulnerável em um condomínio. Ao recolher o depoimento dos criminosos ontem, ficou claro para a polícia que eles não apenas clonaram o carro de um morador, como o seguiram por vários dias para ter certeza sobre sua rotina e seus horários.

Como o Estado mostrou na segunda-feira, no mês passado a polícia registrou 681 furtos e roubos a residência na capital paulista - média de um caso por hora. /COLABOROU CAMILLA HADDAD

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