Clayton de Souza/Estadão
Clayton de Souza/Estadão

Bando armado ataca 2 carros-fortes e mata PM no interior de São Paulo

Suspeitos usaram dinamite para explodir veículo, mas não teriam levado dinheiro; viatura policial que seguia pela estrada foi atingida

José Maria Tomazela, O Estado de S. Paulo

30 de outubro de 2014 | 13h52

SOROCABA - Um bando fortemente armado explodiu dois carros-fortes da empresa Prosegur, atacou viaturas e uma base da Polícia Militar Rodoviária e, na troca de tiros, matou um policial militar na manhã desta sexta-feira (30), em Aguaí, região de Campinas. Um segurança da empresa e outro policial ficaram feridos. Os bandidos usaram dinamites para explodir os veículos blindados, mas , com a reação policial, acabaram fugindo sem levar o dinheiro. O ataque levou à interdição da pista norte da Rodovia Adhemar de Barros (SP-240), que ficou bloqueada no km 200 por horas.

A ação, considerada ousada pela própria polícia, ocorreu no trecho da rodovia que liga Campinas a Mogi-Mirim. Os carros-fortes foram bloqueados e metralhados. Um deles furou o bloqueio, cruzou o canteiro,  retornou na contramão e invadiu a pista contrária até o posto de policiamento rodoviário do km 198,5, mas foi perseguido pelos bandidos. 

O policial rodoviário cabo João Belfort abriu fogo contra os assaltantes e houve reação. A base foi alvejada por mais de vinte tiros. Atingido de raspão nas nádegas, o policial se refugiou atrás do prédio e pediu reforço.

Os vigias abandonaram o carro-forte e se refugiaram num laranjal. O outro carro forte, atingido pelos disparos, subiu num barranco. Os vigias saíram e um deles foi atingido na cabeça. Quando o veículo era explodido, uma viatura da PM de Aguaí, que se deslocava para o local atendendo ao chamado da base rodoviária, foi atacada sobre o viaduto por bandidos que davam cobertura numa picape Strada. Um cabo da Polícia Militar, identificado como cabo Branco, foi atingido na cabeça. Antes de fugir, os criminosos atearam fogo na picape.

O cabo Belfort, de 47 anos, 23 de polícia, e que enfrentou sozinho cinco bandidos armados, contou que desconfiou ao ver os carros-fortes passando na outra pista, seguindo por dois carros escuros. "Saí para ver e alertar a base mais próxima, quando comecei a ouvir os tiros." Ao ver o carro-forte na contramão sendo alvejado pelos criminosos, sacou o revólver calibre 38. "Eles estavam atirando contra o carro-forte e eu revidei. Foi quando os vigilantes conseguiram escapar." Acuado, o policial se abrigou atrás de uma pilastra. A base foi metralhada.

Ao ser atingido, Belfort correu para o rádio e pediu apoio. "O cabo Branco sempre me dava apoio. Não quero nem pensar que ele morreu ao tentar me ajudar", lamentou. De acordo com o cabo, o grupo tinha pelo menos dez integrantes, incluindo os que explodiram os carros-fortes e atacaram a base. "Eles vestiam roupas pretas, usavam coletes balísticos e tinham armamento pesado", relatou. De acordo com funcionários da Prosegur, o dinheiro não foi levado porque as explosões acionaram uma espécie de air-bag de espuma que protege o cofre com as cédulas.

O policial atingido morreu ao ser levado para um hospital de Aguaí. O vigilante ferido foi transferido em estado grave para um hospital de São João da Boa Vista. As áreas em que ocorreu o confronto foram isoladas para perícia. Dezenas de cápsulas de projéteis ficaram espalhadas no asfalto. Os policiais acionaram o Grupo de Ações Táticas Especiais (Gate) para remover as dinamites.

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