Bandidos prometem novos atentados e mudam rotina da ilha

Moradores de Florianópolis evitam usar transporte coletivo e donos de bares têm fechado mais cedo

Rafael Carvalho, especial para O Estado

15 de novembro de 2012 | 02h01

FLORIANÓPOLIS - A série de atentados dos últimos dias tirou a pacata população de Florianópolis, apelidada de Manezinhos da Ilha, de sua rotina. Milhares de passageiros do transporte coletivo deixaram de utilizá-lo ontem por medo de noves ataques - prometidos por bandidos. Pequenos comerciantes, principalmente de bares noturnos, apesar de negarem toque de recolher, fecharam as portas mais cedo nessa terça-feira, 13.

Moradores, principalmente do norte da capital catarinense, região mais afetada pelos atentados, temem que a situação fuja ainda mais do controle. Na empresa de transporte coletivo Canasvieiras, responsável pelo fluxo de passageiros da região, metade das pessoas deixou de usar ônibus ontem - sem seguro, o prejuízo só com dois coletivos ultrapassa R$ 600 mil.

PMs passaram o dia vigiando terminais de integração nos bairros da Trindade e Santo Antônio de Lisboa. Alguns profissionais já atuam sem descanso há mais de 80 horas.

Na 2.ª Delegacia Policial, no bairro do Saco dos Limões, uma viatura da Polícia Civil foi parcialmente incendiada na noite de anteontem e na de ontem. Logo após bandidos avisarem, por telefone, sobre novos ataques, quatro homens em um Fiesta cinza, em alta velocidade, dispararam contra a delegacia. Ninguém foi preso.

Outras ameaças por telefone foram feitas na tarde desta quarta prometendo novos ataques para a noite. Uma equipe do Deic (Departamento Estadual de Investigações Criminais) já fazia plantão na 2.ª DP à tarde.

Um vídeo gravado dentro do presídio de São Pedro de Alcântara, na Grande Florianópolis, foi divulgado no fim da tarde desta quarta pela RICTV. Na gravação, os presos Rodinei do Prado e Adílio Ferreira, conhecido como Cartucho, agradecem os comparsas pelo "apoio e empenho em prol da facção". Em outro trecho, Rodinei informa detalhes de um assalto a um supermercado e sobre a chegada de drogas e armas vindas "de um contato bom lá de cima".

São Paulo. Pelas redes sociais, moradores de Florianópolis vêm narrando a tensão em seus bairros, sempre comparando a antes tranquila Ilha de Santa Catarina à Região Metropolitana de São Paulo.

A pergunta que fica é se essa série de atentados pode interferir no movimento da alta temporada de verão em Santa Catarina, que recebe 5 milhões de turistas por ano. Proprietários de hotéis, pousadas, bares e restaurantes já estão preocupados, mas por enquanto não há registro de cancelamento de reservas em Florianópolis por causa dos ataques.

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